quarta-feira, 7 de junho de 2017

GILMAR MENDES: A BOCA DE ESGOTO QUE ATERRORIZA O JUDICIÁRIO

Gilmar Mendes não é personagem de deixar ninguém na dúvida. Ele é mau caráter, inescrupuloso, truculento e não é à toa que foi chamado por Joaquim Barbosa, quando este ocupava uma cadeira no STF, de jagunço midiático.

Porém sua presença tanto no STF quanto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não é uma anomalia. Nesses dois Tribunais ele cumpre o papel para o qual foi escalado: defender a todo custo os interesses do empresariado urbano, rural e financeiro - por todos os meios que o dinheiro faculta.

Sua força e poder nessas instâncias não deriva de seu estilo "boca de esgoto" (na verdade isso até o expõe mais do que esses empresários desejariam), mas das estruturas de poder que ele defende com unhas, dentes e, naturalmente, com sua boca infecciosa.
O 6o. pecado capital de Gilmar Mendes: a vaidade.
Por isso ele se sente tão à vontade para interpelar desaforadamente (e mesmo ofender) seus colegas de Tribunal, achincalhar a legislação pela qual deveria zelar e a qual está obrigado a fazer cumprir, e para expor com tanta franqueza e falta de escrúpulos sua lógica baseada inteiramente no dinheiro.

O julgamento da chapa Dilma-Temer pode seguir eventualmente um caminho que derrote Gilmar Mendes, porém é preciso constatar: lamentavelmente todos os demais juízes do TSE se borram de medo dele - aliás, os do STF também.

Errou Lula quando disse que todo o Judiciário está acovardado: Gilmar Mendes, não! Ele é uma espécie de Ricardo III, imoral certamente, e talvez a um passo da insanidade, mas... medroso? Não. Ele aterroriza e inspira asco, mente, atraiçoa, ameaça, coage, incita, destrói os que estão em seu caminho. Porém, não esperem dele o que Ricardo III, vilão da peça de Shakespeare, disse em sua última fala, em face da derrota humilhante: "Meu reino por um cavalo". Mais fácil é que Gilmar Mendes saia, ainda que derrotado, montado a cavalo em um de seus colegas de Corte.

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  
Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


domingo, 4 de junho de 2017

DOSSIÊ DALLAGNOL: O CARRASCO DA VEZ DE LULA

Deltan Dallagnol é filho do procurador de justiça Agenor Dallagnol. Protestante da igreja Batista, é formado em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em direito por Harvard. É procurador do MPF desde 2003, e especialista em crimes contra o sistema financeiro nacional  e lavagem de dinheiro, com atuações em casos como o do Banestado; atualmente coordena e integra a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Casado e pai de um casal de filhos, Dallagnol se apresenta no twitter e redes sociais como “um seguidor de Jesus”, e "líder de célula religiosa". Com a família, frequenta a Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba.

O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato é movido por sua fé. Deltan Martinazzo Dallagnol acredita que pode mudar a forma de combater a corrupção no país. De cabelo bem aparado, óculos de aro fino e trajado de terno preto, gosta das câmeras de TV e corre na direção delas sempre que fabrica um novo ato bombástico da Operação — o mais recente é o pedido de condenação em regime fechado contra o ex-presidente Lula.

A imagem de Dallagnol também se associou às 10 medidas de combate à corrupção, cujo animador mor, também procurador, Ângelo Goulart Villela, foi preso recentemente por corrupção, envolvido na delação dos donos da JBS, por vazar informações sob segredo de justiça exatamente para os investigados. (Para saber mais, clique aqui).

Em busca de apoio, o procurador peregrinou por igrejas batistas.

Porém, ruim de discurso e pior ainda de powerpoint, seu sucesso mesmo entre os fiéis de sua igreja anda balançando. Que pastor midiático esperaria que seu rebanho virasse as costas e saísse do templo no momento em que seu púlpito fosse entregue a um procurador responsável pela Lava Jato? Pois isso ocorreu em agosto passado na igreja da Lagoinha, em Belo Horizonte, no “culto fé” dirigido pelo pastor e cantor André Valadão.

Enquanto Dallagnol falava, apresentando um powerpoint, as pessoas começaram a sair do templo, esvaziando o local (confira clicando aqui).

Em 2014, no início da Lava-Jato, viajou para surfar na Indonésia, o que revela um estilo de vida bem pouco modesto para quem tanto vende para as câmeras a imagem de bom moço, recatado e do lar.

Embora pose de bom moço, e receba um salário de marajá do judiciário, foi flagrado na compra de dois apartamentos do Minha Casa Minha Vida para especular no mercado imobiliário.

Suas ligações, e as de Sérgio Moro, com serviços secretos dos EUA são um escândalo à parte, mas que toda a impresa conhece. Ele e o juizeco de Curitiba repassam ao FBI e ao Departamento de Estado norte americano informações privilegiadas da Petrobrás e das empreiteiras investigadas, bem como intemedeiam ilegalmente depoimentos de réus brasileiros a autoridades daquele país, interessado em abocanhar o pré-sal e o trilhonário mercado da construção civil (sobre isso clique aqui e leia mais).

Cada vez mais questionado por suas "convicções" sempre desacompanhadas de provas, em debates, ouve juristas reclamarem do teor de suas acusações, consideradas pesadas contra os réus, capazes de criar um Estado policialesco.

Na 96a. Assembleia da Convenção Batista Brasileira, ele afirmou:

“O meu único objetivo de estar no Ministério Público desde que eu ingressei, em razão do meu perfil cristão, é estar lá para buscar fazer justiça, buscar amar o próximo distribuindo a justiça e dando o meu melhor para que a justiça seja feita no nosso País”.

Só não se informou o ilustre procurador de que o Estado brasileiro é laico e que ele não foi concursado para usar o cargo para realizar a justiça divina pelo ótica de sua igreja em particular.
Evangélico ou maçon?
Na verdade, Dallagnol, como Sérgio Moro, faz parte de um esquema ultraconservador, ligado ao PSDB e ao DEM (clique aqui e veja as amizades do bonitinho), cujo objetivo é destruir a esquerda brasileira empregando o álibi fácil da corrupção. Sob a ação desses dois "paladinos da justiça" da rede Globo, bilhões do escândalo Banestado escorreram sob seus narizes direto para fora do país. Os investigados nunca foram punidos e Youssef, verdadeiro sócio de Moro em processos bilhonários, após "delatar", mas não muito, nesse escândalo e sair impune, voltou a delinquir, a delatar e a ser solto pelo mesmo Sérgio Moro, agora na operação Lava Jato. Condenado a 121 anos de prisão, ele não cumpriu mais de três, saiu livre, por decisão de Moro, e com o dinheiro no bolso (clique aqui e leia mais).

Para Dallagnol "Deus colabora com a Lava Jato", porém ele só não disse em favor de quem o Deus dele colabora, uma vez que tucano, por mais denunciado com provas que seja (e são, e muito!), nenhum foi preso e sequer indiciado por ele e Moro.

Em abril deste ano disse que "sem provas, não faríamos acusação a Lula". Porém, no apagar das luzes desta semana, nas considerações finais do famigerado processo do Triplex, não apresentou uma única prova sequer, baseando seu pedido de condenação em regime fechado do ex-presidente em "juízo de convicção", pinçado em um livro autobiográfico que lançou recentemente em busca de promoção pessoal, e em citações de Rosa Weber  (aparentada de Aécio Neves por parte de prima, Letícia Weber, casada com ele) no processo do mensalão, no qual condenou José Dirceu assumidamente sem provas porque "a jurisprudência permitia".

Esse é o naipe do procurador de holofotes, que se fundamenta no "senso comum", como afirma, ao invés de basear no senso de justiça (ou do ridículo), que exige a condenação, sem provas, de Lula, em regime fechado, com a pena máxima que seu "juízo de convicção" religiosa, lhe inspira.

Fontes: Consciência Cristã News; Conversa Afiada, Diário do Centro do Mundo, Falando Verdades, GGN, Notícias Gospel Mais, Outras Palavras, Tijolaço, UOL, Vi o Mundo.

Grato pela leitura.
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Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Pra estraçalhar o golpe temos que estraçalhar CADA discurso dele com a nossa linguagem TORTA e LOUCA

DERROTAR O GOLPE NO CAMPO DA LÍNGUA
Precisamos atacar o preconceito contra os trabalhadores, que é a base do golpe contra o qual estamos lutando agora. Ele se expressa por meio da língua. As humilhações que Lula sofre não é porque ele é "analfabeto" (como insistem os preconceituosos para destruí-lo), mas porque é o melhor e mais forte representante dos trabalhadores hoje.

Se não desmontarmos e derrotarmos esse preconceito no campo da linguagem, que legitima as ações dos reacionários, ele será empregado (e é) contra nós: "Trabalhador não sabe escrever, sequer falar, quanto mais governar!"

Temos que combater nessa frente: a do preconceito linguístico - base da famigerada "escola sem partido". Noutras palavras: não dá para derrotar o golpe e reconquistar a democracia sem desconstruir o que eles dizem, a partir da afirmação da nossa identidade linguistica, social e de classe. E nossos "erros" de português fazem parte dela. 
Na língua portuguesa cabe todo mundo.
Por isso devemos responder aos discursos fascistas e golpistas não na língua e nos termos deles, mas nos nossos! Se formos capazes de enfrentar o preconceito, inclusive os nossos mesmos, se desmontarmos o preconceito no coração de nossos parentes, amigos e pessoas mais próximas, estraçalharemos o golpe de baixo para cima, saíremos desta difícil jornada melhores e com um Brasil melhor, porque fruto de um povo melhor.

E quem não suportar nossos "erros" de português, que vá errar em inglês em Miami.

Brigaduuuuu pela leitura.
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Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.