sábado, 1 de julho de 2017

DO ÓDIO À ESPERANÇA NÃO SE VAI DE UMA HORA A OUTRA

Não se vai da aprovação ao ódio de uma hora para a outra. A rede Globo, a revista Veja e seus parceiros traçaram um longo percurso de manipulação do inconsciente das pessoas de modo a pô-las em movimento irracional contra os governos Lula e Dilma. Para isso contaram com o apoio da Polícia e do Ministério Público Federal, do STF, do Congresso Nacional e do inescrupuloso juiz Sérgio Moro.

Quando estouraram as manifestações de 2013, o governo Dilma contava com alta popularidade e a economia respondia com bons resultados (o PIB estava na casa dos quase 2,5 trilhões de dólares - hoje, caiu para próximo de 1,5 trilhão). Insuflando e aproveitando essa explosão irracional, sem base na economia, a rede Globo, seguida por Veja, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e outros órgãos da mídia monopolista, partiu para a ofensiva, intensificando o bombardeio midiático contra Dilma e, por extensão, Lula e a esquerda no poder.

Da aprovação ao governo ao ódio que estourou em 2015, e que está na base do Golpe, a rede Globo capitaneou a manipulação do inconsciente de vasta parcela da população, que sem mecanismo de defesa contra essa manipulação, viu sua esperança e aprovação pelo governo converter-se em apatia, depois em angústia, tristeza, decepção, raiva e por fim ódio - essa força irracional e destrutiva que encontra combustível não  na consciência, mas exatamente nas camadas mais profundas de nosso inconsciente, onde moram nosso medos, impulsos incontroláveis sem o aporte da consciência, fantasias, pesadelos e instintos os mais poderosos em estado bruto.

Esperança aprovação  apatia angústia tristeza decepção → medo  raiva ódio.

Sob esse ponto de vista, as decisões que o STF faz questão de esfregar na cara de todos os brasileiros são um choque de realidade, cujo efeito é positivo e cujo sentido é inverso do que trilharam até o golpe, tangidos como gado pelos mecanismos manipulatórios da grande mídia.
Porém não se vai do ódio à esperança de um salto: será necessário cruzar a dolorosa via crucis que passa pela raiva, a decepção, a tristeza:

Ódio  raiva → medo  decepção  tristeza  angústia  apatia  aprovação  esperança.

As fantasias terão de cair todas por terra, para que, diante da realidade nua e crua, o brasileiro ponha a mão na consciência (ele que estava transido pela irracionalidade), e se mova no sentido da esperança, não sem antes ter confrontado todos os seus fantasmas açulados pela mídia, os quais ele perseguiu como em um surto psicótico.

A escala acima pode ser mais detalhada, porém penso que uma pequena parte da população ainda vive o surto do ódio (parcela identificada com Bolsonaro), porém a imensa maioria me parece ter-se descolado do ódio e da raiva e se encontra hoje, após o papelão do STF no caso Aécio-Rocha Loures, no grau da profunda decepção, a caminho da tristeza e da angústia, mas num sentido progressivo, que se as forças democráticas souberem impulsionar, pode se converter em sentimento e desejo de mudança, outro nome da esperança, polo oposto do ódio.

Em que ponto da escala você se encontra?

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


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