domingo, 30 de abril de 2017

ENIGMA BELCHIOR: UMA REPORTAGEM HISTÓRICA DE 1976-1977

O coração generoso de Belchior parou na madrugada de hoje (30/4/17), mas o poeta-filósofo está mais vido do que nunca. Do meu arquivo pessoal, reproduzo reportagem de 1976, de Vitu do Carmo, para a revista Música, quando Belchior emplava CORAÇÃO SELVAGEM, depois de estourar  no LP e Show Falso bilhante de Elis Regina os clássicos "Como nossos pais" e "Velha roupa colorida". Fiz a transição da adolescência para a juventude ouvindo cantando Belchior. Ele me ensinou e àqueles de minha geração que tiveram a sorte de compreendê-lo que a "voz ativa, ela é que é uma boa". E que o grito de sede de justiça e liberdade não vem da boca, mas do fundo mais fundo do coração.

BELCHIOR: A BUSCA INSANSÁVEL DO SUCESSO.
Revista Música, n. 13, ano II, 1976.
Por Vitu do Carmo

Seu talento como um dos letristas mais inovadores da música popular brasileira foi que lhe assegurou prestígio junto à crítica e à boa parte do público. Mas ao lado da criatividade, Belchior também deve seu sucesso a uma infatigável disposição para perseguir tudo o que lhe interessa. Com a mesma determinação, ele interpela a Censura Federal, que está retardando a liberação de seu disco, ou percorre emissoras de rádio para que os disquejóqueis o incluam na programação.

Tal determinação é compreensível em alguém que um dia decidiu que iria “viver ou morrer de música”. E que durante um bom tempo enfrentou a adversidade de um mundo novo e desconhecido, com a única certeza de que precisaria lutar muito par se impor.


Nem os fidalgos leitores da revista Vogue, nem as simplórias fãs do programa do Chacrinha constituem, à primeira vista, o público mais sensível da postura artística de Belchior, considerado por muitos o mais importante renovador da música popular brasileira na atualidade. Mas, numa clara demonstração de que não se subestima nenhum veículo, Belchior faz questão de aparecer tanto numa revista que se esmera em mostrar a última moda em roupa masculina, como num programa que se tornou célebre pela distribuição de bacalhau ao auditório.

Justificando-se, ele alega que Chico Buarque e Caetano Veloso, no início de suas carreiras, também frequentaram programas populares, “desses que dão eletrodomésticos de presente”, e que isso apenas os fez mais conhecidos, sem comprometer seus trabalhos. Não há dúvida, no entanto, de que na convicção de que todo público merece o esforço do artista para conquistá-lo, Belchior supera Caetano, Chico e quaisquer outros nomes de seu time – uma constelação de autores com profundidade crítica em suas obras.

Em abriu, quando ainda se preparava o lançamento de seu mais recente elepê, Coração Selvagem, Belchior contabilizava os resultados do disco anterior, Alucinação, que já atingira a marca pouco comum de 150 mil exemplares vendidos. Ele fazia outro tipo de balanço: para promover o disco, no último semestre do ano passado, percorrera cerca de 60 cidades. O próprio cantor e compositor ficou surpreso com as reações colhidas nessas andanças. Julgava-se dono de um repertório “difícil” e acabou convencendo-se de que, ao contrário, sua música é uma “arte popular”. Ele encontra a explicação para isso no fato de seu trabalho “estar voltado para a realidade do povo”.


Belchior, um iconoclasta dos valores consolidados – chega a dizer que “eles são todos péssimos” – demonstra, na verdade, um claro realismo ao admitir sua dependência, como artista, de mecanismos estabelecidos. “Se os artistas não fizerem mudanças”, costuma dizer, “os comerciantes é que irão fazê-las.  Mas não podemos esquecer que também dependemos dos comerciantes. Nós fazemos as músicas e eles as vendem”. Uma tal ponderação, para alguns, chega a ser estranha nos lábios de quem usa palavras tão duras para explicar o esvaziamento da grande explosão cultural provocada pela rebeldia dos anos 60, na qual sua obra colheu vigoroso empuxo. “Toda experiência daquele período foi transformada pelo sistema em mercadoria, em dinheiro, em lixo”, ele diz, com indisfarçável amargura.

Sua peregrinação pelas emissoras de rádio, com disco debaixo do braço, e a humildade de procurar os disquejóqueis mais comprometidos com auditórios inconsequentes, foi decisiva para consolidar sua situação atual. Não faz muito tempo que seu prestígio era, no máximo, o de um bom compositor, mas apenas com uma ou outra canção inserida em elepês alheios. Hoje seu contrato com a WEA assegura-lhe até o privilégio de que cada novo disco que lançar terá como suporte a montagem de um show, se necessário com ajuda financeira da gravadora.

Mas isso não diminuiu o disposição do autor de “Sujeito de sorte” para continuar visitando programas de rádio e televisão. Recentemente, ele teve que responder a perguntas do nível de “Você se lembra dos nomes de todos os seus 22 irmãos?”, num programa da Rádio Mulher, em São Paulo, apresentado pela também jurada de televisão Gilmara Sanches. E, por coincidência, outra questão formulada pela entrevistadora, em que ouvintes que estavam telefonando – se Belchior costuma ouvir muitos discos – deixou transparecer, mais uma vez, o notável senso de disciplina profissional do autor, que já se apresentou numa canção como “apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso”: “Ouvir música faz parte do meu trabalho”, afirmou. E destacou Bob Dylan e Joan Baez como vozes mais assíduas em seu equipamento de som.


Para André Midani, diretor da WEA no Brasil, e responsável pelo convite a Belchior para ser o primeiro contratado nacional da companhia – que até há pouco se limitava a distribuir discos gravados pela matriz nos Estados Unidos – seu escolhido é “uma pessoa com uma ambição incrível”.

Ávido também de seus direitos, o compositor de “Como o diabo gosta” tomou a iniciativa de interpelar a Censura Federal, que se demorava na liberação das músicas do elepê mais recente, Coração selvagem. Fez questão de ler o parecer dos censores; descobriu que havia divergência entre eles quanto à conveniência ou não do veto a determinadas composições. No fim, de dez músicas apresentadas, uma com o título profético “Como se fosse pecado” foi proibida e outra – “Caso comum de trânsito” – censurada em duas palavras. Belchior, de qualquer maneira, não se sentiu menos “ferido e humilhado do que se os censores tivessem interditado o disco inteiro.

Foi muita sorte dele: descobriu uma banda de jazz em pleno sertão.

Coração selvagem é o terceiro elepê que ele grava profissionalmente, depois de A palo seco, em janeiro de 1974, e Alucinação, em abril do ano passado. Antes, em 1968, Belchior e alguns companheiros, que formavam o grupo de viria  ser depois conhecido como Pessoal do Ceará, gravaram no estúdio Orgacim, em Fortaleza, um elepê de tiragem restrita e distribuição praticamente limitada aos próprios intérpretes. Com esse arremedo de realização, eles apenas aplacaram a ansiedade que sentiam por uma verdadeira carreira, a se concretizar um dia, longe de Fortaleza, é claro, pois, como Belchior diria na semi-autobiografia Fortaleza 3x4, “o que passa no Norte, pela leia da gravidade – disso Newton já sabia – cai no Sul, na grande cidade.

Belchior desembarcou no Rio em abriu de 1971, trazido por um avião da Força Aérea Brasileira, pois não tinha dinheiro para pagar a passagem. O preço foi ter que cortar o cabelo para poder entrar no avião. Na bagagem vinham algumas composições e muitos livros. “Em cada esquina que eu passava”, diria depois a canção inspirada na dureza desses dias, “um guarda me parava, pedia os meus documentos e depois sorria, examinando o 3x4 da fotografia e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha”.

Sobral, a cidade do Ceará onde ele nasceu a 26 de outubro de 1946, deu a Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes mais do que um nome capaz de chamar a atenção na carteira de identidade. Foi lá que o futuro compositor colheu as primeiras influências musicais, que começaram em casa, pois a mãe era integrante do coro da igreja, o avô tirava sons na flauta, sax e rabeca, e a avó dedilhava o violão. O pai, não. Era comerciante, mas com a vantagem de que sua bodega vivia cheia de violeiros que improvisavam rodas de cantoria. E, do lado de fora, havia serviço de alto-falante, onde desembocavam os sucessos do Sul, de Ângela Maria e Edith Piaf, de Cauby Peixoto e Billie Holiday. Receber essa variedade de ritmos já devia ser muita sorte para aquele embrião de artista, isolado no sertão nordestino. Mas a vizinhança reservava-lhe ainda um outro achado: uma família de negros protestantes, cujos ascendentes tinham vindo dos Estados Unidos na época da Segunda Guerra. Era uma verdadeira banda de jazz, que se reuniam todos os dias, no fim da tarde, tocando um repertório pouco apropriado ao gosto local, mas que o menino Belchior já espreitava intrigado.

Não era aquela música, no entanto, que ele começaria a cantar em público pouco depois, aos 12 anos, quando passou a se apresentar em feiras. Então, seu modelo era Luiz Gonzaga, cujos baiões repetia.

Mas logo depois Belchior vai para um colégio de padres, o que introduz um novo ingrediente em sua formação musical: o canto gregoriano. Este deixaria uma inconfundível marca na futura obra do compositor: as longas letras, a notória discursividade, bem ao estilo dos cânticos que o menino era obrigado a entoar em louvor a Deus.


No início, da década de 60, a seca tornou-se inclemente em Sobral e Belchior acompanhou a família, na esperança de encontrar uma vida melhor em Fortaleza. Na capital, fez o curso científico ao mesmo tempo que ganhava algum dinheiro como carpinteiro ou fazendo máscaras para vender no carnaval.

Findo o curso, procurou um mosteiro franciscano, pois queria aprender filosofia. Nos dois anos e pouco que lá permaneceu, foi além do currículo: descobriu que havia uma “biblioteca maldita”, onde apanhava livros à noite, com alguns colegas, para durante o dia, escondido, se deliciar com T. S. Eliot, Edgar Alan Poe, Brecht, os beatniks. E só foi posto para fora quando teve a impertinência de mostrar aos seus superiores o produto de suas leituras – uma tese segundo a qual sexo e prazer físico são fontes de inteligência e de intuição criadora.

Em 1967, Belchior começou a estudar medicina, em Fortaleza. Custeava os estudos com o que obtinha dando aulas particulares de biologia e conseguiu chegar até o terceiro ano. Mas então sentiu-se  “enlouquecido” com os Beatles e o tropicalismo brasileiro e concluiu que tinha descoberto o verdadeiro caminho. Foi quando cunhou a frase, uma espécie de lema que deve ter sido útil para manter o moral nas muitas dificuldades que a decisão lhe acarretaria: “Vou viver ou morrer de música”.

Comprou um violão e começou a estudar música de verdade. Ele já se sentia plenamente apto a fazer as letras, mas queria um melhor suporte melódico. Na verdade, a carreira de compositor não era uma escolha antiga. Belchior deixa isso claro no folheto preparado em maio do ano passado pela Phonogram para acompanhar o lançamento do elepê Alucinação. “O que eu sempre queria era escrever”, confessa. “Mas num certo momento senti que era mais quente fazer música. Porque, não só em termos de divulgação, mas ao nível do próprio receptor, o trabalho musical era mais eficiente. Eu poderia cantar as mesmas coisas que estava querendo escrever – só que com muito mais contato vivo, mais combatividade humana, muito mais juventude”.

No final da década passada, o clarão dos festivais de música popular irradiando-se do Sul atingiu Fortaleza, embora meio palidamente. Toda aquela inquietação reforçou o sentimento de que havia algo a chamá-lo. Era hora de fazer a lei da gravidade, cair par ao Sul.

Já em agosto de 1971, apenas quatro meses depois de chegar ao Rio, Belchior ganhava o IV Festival Universitário, com “Hora do almoço” (“No centro da sala/ diante da mesa/ no fundo do prato/ comida e tristeza). A música deveria ser cantada pelo velho ídolo, Luiz Gonzaga, que no entanto não pôde comparecer. Então Belchior  mais dois cantores – Jorginho Teles e Jorge Nery – todos vestidos de túnica e sandálias, “para dar impacto”, entraram no palco e arrebataram o prêmio.

Mas as dificuldade do jovem autor não estavam terminadas – antes, nem tinham começado. O esforço de Jorginho Teles conseguiu que a Copacabana gravasse “Hora do almoço” com os três – mas assim eles só ocuparam a face A de um compacto simples.


O disco seguinte só viria anos depois, também um compacto simples, e já noutra gravadora, a Chantecler. Desta vez, com arranjo de Rogério Duprat e cantando sozinho. Belchior mostrava uma música de cada lado, ambas de sua autoria: “A palo seco” e “Sorry, baby”. Mas não era ainda o sucesso como intérprete.

Belchior só pôde gravar seu primerio elepê – foi em 1974 – depois de fazer sucesso como compositor, com músicas gravadas por Elis Regina e Leny Andrade. A primeira canção de Belchior – em pareceria com Fagner – incluída num elepê de Elis Regina foi “Mucuripe”, em 1972. A grande contribuição da cantora para a consolidação do prestígio ao autor cearense, porém, ocorreu no ano passado, com a inclusão de “Como nossos pais” e “Velha roupa colorida” no elepê e no show Falso brilhante.

As coisas ficariam mais fáceis para ele, que, depois do elepê Belchior, em 1974, na Chantecler, gravaria Alucinação em 1976, na Phonogram e agora, em abril deste ano, Coração selvagem, na WEA.

Restou, da vida na grande cidade, antes do sucesso, a marca da dura luta pela sobrevivência como cantor de boate, ou menos que isso. Belchior morou no subúrbio carioca e chegou a trabalhar num hospital em troca de comida. Em São Paulo, por uns tempos, viveu numa casa que estava sendo demolida, de modo que ia mudando de um quarto para outro, à medida que as paredes iam caindo. Só saiu de uma vez quando o último cômodo veio abaixo.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 29 de abril de 2017

UMA REVOLUÇÃO DOS TRABALHADORES NESTA HORA CAI BEM

Fora de si com a Greve Geral que parou o país ontem (28/4/17), o prefake playboy de São Paulo João Falso Trabalhador Doria expressou com grande sinceridade o que pensa o empresariado sobre os trabalhadores brasileiros, aqueles mesmos que os carregam nas costas.

Irritado com a força demonstrada pelos trabalhadores na preparação e na realização da Greve Geral de ontem, o prefake riquinho da cidade ganhou espaço na imprensa para falar o que pensa daqueles que o elegeram. Assista ao vídeo a seguir:

Ignorante de elementos básicos que devem nortear a prática de um administrador público eleito pelo voto direto, Doria sequer toma conhecimento de que o direito de greve é consagrado na atual Constituição Federal, que ele está obrigado a cumprir.

Porém agradeçamos a ele a sinceridade, pois sua voz não fala apenas em nome de um prefeito descentrado e mal educado: fala em nome de uma classe social, a burguesia, movida pelo ódio, que decidiu sem dó nem piedade enviar os trabalhadores de volta à senzala.

Em face dessa sinceridade, podemos agir igualmente sem dó nem piedade para com aqueles que nos querem, e a nossos filhos e netos, escravos. Por isso uma revolução dos trabalhadores agora cai bem.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o EnsinoSuperior privados. 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

GREVE GERAL: REVOLTE-SE, SE NÃO QUER VIRAR ESCRAVO

GREVE GERAL, ANTES QUE SEJA TARDE
A atual legislação trabalhista é filha da Revolução de 1930. Foram necessárias as armas para que trabalhadores tivessem direitos mínimos assegurados. Os deputados de Temer ousaram destruir essas conquistas. A greve geral e a desobediência civil são meios pacíficos de tentar manter essas conquistas, frutos de muito sangue, suor e lágrimas dos trabalhadores. Fora isso, somente uma outra revolução porá ordem na casa novamente.

A Reforma Trabalhista aprovada pela corja corrupta de Temer tem mais de 100 pontos que tornam você um escravo moderno.Veja, a título de aperitivo,  os 13 "mais":

1. *Demissões coletivas* . Agora os empregadores podem demitir todo mundo da sua empresa e contratar outras pessoas por menores salários e menores benefícios sem nenhuma multa.

2. *Trabalho temporário, pra sempre* . O patrão vai poder te contratar por hora durante toda a sua vida. Sem garantias. Por exemplo: bares, restaurantes, indústrias poderão te chamar para trabalhar temporariamente quando quiserem e você não terá seu emprego e salário fixos garantidos.

3. *Hora-extra* . A CLT prevê jornada de trabalho de no máximo 8 horas por dia. Agora, ao invés de pagar horas extras para o trabalhador que ficar mais tempo trabalhando, o empregador vai contratar uma jornada de trabalho maior. Diminui o salário do empregado no final do mês.

4. *Meia-hora de almoço* . Antes era obrigatório almoço de uma hora. Mas para este governo apenas meia-hora é suficiente.

5. *Suas roupas também entraram na reforma* . A partir de hoje o patrão vai poder dizer até como você tem que se vestir. Mesmo aqueles uniformes que te exponham ao ridículo estão liberados. E não importa que faça frio ou calor, a roupa é a que os patrões escolherem.

6. *Fim do transporte de empregados* . As empresas não precisarão mais pagar pelas suas horas de deslocamento. Quem mora mais longe é o mais prejudicado. Vai perder tempo e dinheiro.

7. *Mexeram nas suas férias* . Agora os patrões podem parcelar livremente suas férias em até 3 vezes, como for melhor pra eles.

8. Se você é *terceirizado* , preste atenção: a empresa que contratou a terceirização (às vezes é o governo ou outra empresa bem maior) *não* vai mais ter responsabilidade nenhuma sobre sua indenização se você for demitido. Se você não receber os seus direitos, já era.

9. E se você tem carteira assinada e está há muitos anos na empresa? Saiba que agora *a empresa vai poder te demitir* e demitir todos os teus colegas para contratar terceirizados, mais baratos pros patrões, sem direitos, sem carteira assinada.

10. A crueldade chega até às *grávidas* : quem decide aonde as grávidas (e as lactantes) trabalham é o médico da empresa. Ou seja, mesmo que ela esteja em um local insalubre para ela e o bebê, quem decide agora o lugar de trabalho é teu patrão.

*E a quem você vai poder reclamar?*

11. *Não tem mais Comissão de Conciliação Prévia* .  O que o patrão negociar com você vai valer mais do que a Lei. Vale o que o patrão mandou e a regra que você assinou quando conseguiu o emprego.

12. *Rescisão* . Não vai ser mais obrigatório o sindicato assinar a tua rescisão. Eles podem agora fazer a rescisão do jeito que eles quiserem. Você ficou não mão dos patrões.

13. *Golpe na Justiça do Trabalho* . A justiça do trabalho não é mais gratuita. Você vai ter que pagar honorário até do perito. E se não tiver dinheiro, fica sem poder reclamar.

Assista ao vídeo:  Trabalhar ficou mais difícil

PARTICIPE DA GREVE GERAL DE AMANHÃ, 28 DE ABRIL DE 2017.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

PROFESSOR DA REDE PRIVADA, PARTICIPAREI DA GREVE GERAL

Vários de meus alunos me perguntaram durante a semana se eu participaria da Greve Geral de sexta-feira próxima, 28 de abril. Para não ficar respondendo no varejo, respondo no atacado: Sim.

Por diversas razões, todas elas sabidas por quem acompanha, ainda que pouco, o noticiário, resumidas na seguinte: Temer e sua corja de ministros, deputados, senadores e membros do judiciário corruptos jogaram sobre os trabalhadores e seus filhos a conta do roubo astronômico que promoveram contra os cofres públicos durante décadas, na surdina.

Por causa disso, nossa aposentadoria ficou para depois de quando morrermos, e a de nossos filhos, bem... Semana passada um aluno de 13 anos, ao invés de se preocupar com futebol, namoradas, rolezinhos, me pedia, com a calculadora nas mãos, para ajudar a saber com que idade se aposentaria se arrumasse um emprego com 14 anos... Simples: 14+49=63. Mas como ele achou que não ia conseguir antes dos 19 ou 20, a conta subiu para 68 e 69 respectivamente. Ou seja, esses canalhas jogaram sobre os ombros das próximas gerações (que já sentem o peso, sem ter condições de suportá-lo) o ônus da roubalheira que praticaram por décadas a fio.

A Reforma da Previdência nada mais é do que o fim da aposentadoria para a imensa maioria dos trabalhadores, atuais e das próximas gerações, que pagarão até morrer para sustentar parasitas do Judiciário, do Executivo e do Legislativos, que garfam  30, 40 e até mais de 100 mil reais mensais, e continuarão gafando esses valores integralmente depois de se aposentarem. Obviamente o que esses nababos pagam de contribuição jamais será suficiente para sustentar suas aposentadorias escandalosas, então a saída que Temer e sua corja encontrou foi fazer-nos pagar por elas.

A Reforma Trabalhista é outro mecanismo exploração aguda dos trabalhadores, cuja maioria passará a pular de contrato temporário em contrato temporário, com salários de indigência, em condições de trabalho aviltantes, jornadas de 12 horas diárias ou mais, sem direito a férias, 13o., descanso semanal remunerado, licença gestante, e mais outros cento e tantos itens que atiram o trabalhadores literalmente na sarjeta - entre os quais a multa que o trabalhador terá de pagar se faltar ao serviço!

Querem reequilibrar a Previdência e retomar economia que eles mesmos devastaram como ratazanas? Simples, devolvam tudo que roubaram, com juros e correção monetária, cumpram suas penas na cadeia e deixem os trabalhadores em paz.

A escola em que trabalho não tem nada a ver com meu apoio à Greve Geral. Inclusive é uma instituição de pequeno porte, de profissionais batalhadores, a maioria mulheres, que honram cada segundo do tempo que dedicam às crianças e adolescentes que lá estudam.

Porém, me desculpem, querida escola, queridos alunos, nesse dia eu não vou trabalhar, não: vou deixar minha mensagem de determinação nos protestos que tomarão as ruas. O que estiver a meu alcance, farei, para que não entreguemos às novas gerações um país pior do que encontramos. Ao meu aluno de 13 anos, preocupado com sua aposentadoria!, e a seus colegas fica o recado: vão jogar bola, deixem conosco a responsabilidade de reverter essa traição que estão tentando fazer com vocês, mas nos cobrem a cada dia de suas vidas.

*O GOLPE AGORA É CONTRA VOCÊ
Por Eliana Ada Gasperini

VEJA OS 13 PONTOS DA REFORMA QUE MEXERÃO NA SUA VIDA PRA SEMPRE E PRA PIOR

1. *Demissões coletivas* . Agora os empregadores podem demitir todo mundo da sua empresa e contratar outras pessoas por menores salários e menores benefícios sem nenhuma multa.

2. *Trabalho temporário, pra sempre* . O patrão vai poder te contratar por hora durante toda a sua vida. Sem garantias. Por exemplo: bares, restaurantes, indústrias poderão te chamar para trabalhar temporariamente quando quiserem e você não terá seu emprego e salário fixos garantidos.

3. *Hora-extra* . A CLT prevê jornada de trabalho de no máximo 8 horas por dia. Agora, ao invés de pagar horas extras para o trabalhador que ficar mais tempo trabalhando, o empregador vai contratar uma jornada de trabalho maior. Diminui o salário do empregado no final do mês.

4. *Meia-hora de almoço* . Antes era obrigatório almoço de uma hora. Mas para este governo apenas meia-hora é suficiente.

5. *Suas roupas também entraram na reforma* . A partir de hoje o patrão vai poder dizer até como você tem que se vestir. Mesmo aqueles uniformes que te exponham ao ridículo estão liberados. E não importa que faça frio ou calor, a roupa é a que os patrões escolherem.

6. *Fim do transporte de empregados* . As empresas não precisarão mais pagar pelas suas horas de deslocamento. Quem mora mais longe é o mais prejudicado. Vai perder tempo e dinheiro.

7. *Mexeram nas suas férias* . Agora os patrões podem parcelar livremente suas férias em até 3 vezes, como for melhor pra eles.

8. Se você é *terceirizado* , preste atenção: a empresa que contratou a terceirização (às vezes é o governo ou outra empresa bem maior) *não* vai mais ter responsabilidade nenhuma sobre sua indenização se você for demitido. Se você não receber os seus direitos, já era.

9. E se você tem carteira assinada e está há muitos anos na empresa? Saiba que agora *a empresa vai poder te demitir* e demitir todos os teus colegas para contratar terceirizados, mais baratos pros patrões, sem direitos, sem carteira assinada.

10. A crueldade chega até às *grávidas* : quem decide aonde as grávidas (e as lactantes) trabalham é o médico da empresa. Ou seja, mesmo que ela esteja em um local insalubre para ela e o bebê, quem decide agora o lugar de trabalho é teu patrão.

*E a quem você vai poder reclamar?*

11. *Não tem mais Comissão de Conciliação Prévia* .  O que o patrão negociar com você vai valer mais do que a Lei. Vale o que o patrão mandou e a regra que você assinou quando conseguiu o emprego.

12. *Rescisão* . Não vai ser mais obrigatório o sindicato assinar a tua rescisão. Eles podem agora fazer a rescisão do jeito que eles quiserem. Você ficou não mão dos patrões.

13. *Golpe na Justiça do Trabalho* . A justiça do trabalho não é mais gratuita. Você vai ter que pagar honorário até do perito. E se não tiver dinheiro, fica sem poder reclamar.

Vamos reagir!
*GREVE GERAL DIA 28 DE ABRIL!!*

Não vamos deixar passar no senado!
Caso seja aprovada temos que fazer um referendo revogatório!
Fora temer!
Eleições diretas já!

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.





terça-feira, 25 de abril de 2017

MORO À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

Um dia Moro quer ver Lula 87 vezes, noutro, diz que vai adiar o depoimento de Lula que ele mesmo marcou com meses de antecedência. Preparem a camisa de força para esse cavalheiro.

O massacre da rede Globo nos últimos dias e o chilique de Moro (que, de raiva, disse querer ver Lula 87 vezes nos próximos meses) falharam grotescamente, e tiveram como consequência uma desorientação geral na República Clandestina de Curitiba, particularmente em seu verdugo-mor.

Após o bizarro depoimento de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, usado para fazer cortina de fumaça às delações da Odebrecht (que afundaram o PSDB, com Aécio, Álckmin, Serra e FHC dentro) a ofensiva Globo-Moro tinha por objetivo promover um linchamento público de Lula.

Era para dar certo, estava tudo combinado, mas... deu ruim. O depoimento de Léo Pinheiro foi uma montanha que pariu um ratinho, e a bateção de lata da Globo deu tanto na vista que a primeira pesquisa eleitoral após mais essa presepada apontou subida vertiginosa de Lula nas pesquisas eleitorais, uma das quais encomendada pela própria empresa mafiosa dos Marinho.

Diante do fiasco, Moro diz, mas não confirma ainda, que vai adiar o tete-a-tete do dia 3 de maio com Lula. Mudança como essa não se deve a uma só razão. Na verdade, Moro, extremamente vaidoso, megalômano e afeito aos holofotes da mídia, marcou esse depoimento de Lula confiando que essa data apanharia o ex-presidente em maré vazante e ele, Moro, em maré cheia. Porém, deu-se o exato contrário. Lula, quanto mais massacrado pela mídia, mais ganha a simpatia das pessoas, Moro quanto mais delações fajutas colhe, mais se perde em seu labirinto de mentiras, trapaças e vaidades.

Assim como disse que quer ver Lula 87 vezes, para dias depois dizer que não quer vê-lo tão cedo, o juiz à beira de um ataque de nervos pode mandar prender Lula a qualquer momento, sem outra razão que não seja sua desorientação psíquica, que não é produto de nenhuma labirintite.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O CONTO DO VIGÁRIO DE SÉRGIO MORO

Na ausência total de provas contra Lula,  escondido na toga, o político tucano Sérgio Moro foi forçado a criar uma narrativa que se apresente como álibi para prender e condenar Lula, nessa ordem. Porém os personagens de seu conto do vigário insistem em estragar seu enredo de ficção de 5a. categoria.

Enfim, o protagonista do mais recente conto do vigário de Sérgio Moro, o empresário Léo Pinheiro, da OAS, entrou em cena para falar o script (em português, roteiro), decorado a partir de ensaios combinados com outros atores corruptos e atocaiados na sombra do Ministério Público Federal.

O que resultou desse conto do vigário mal escrito, mal ensaiado e mal interpretato por Léo Pinheiro  e transmitido ao vivo via internet por Moro foi uma atuação digna de vaia, de todo o elenco, incluso o diretor do mau espetáculo.

Caso Sérgio Moro tivesse o mínimo dissernimento teatral, pois jurídico já deu sucessivas mostras de que não tem nenhum, teria interrompido a peça e solicitado a devolução do dinheiro dos ingressos dos internetespectadores. A sinopse da péssima leitura dramática dirigida por Sérgio Moro é a seguinte:

1. O Triplex do Lula É DA OAS - e consta como ativo da empresa apresentado em sua recuperação judicial.

2. Léo Pinheiro tinha provas de que Lula é corrupto, mas Lula o mandou destruir essas provas e ele, Léo Pinheiro, as destruiu (faltou aqui contrar a claque para dar risadas, como nos programas de humor sem graça da rede Globo).

Seria um conto da Carochinha, não fosse um conto do vigário, no qual só cai quem for muito, mas muito, mas muito otário. Quantos de camisa amarela estariam dispostos a pagar esse ingresso e a assisitr até o fim uma farsa tão mal escrita e ainda pior interpretada?


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.



terça-feira, 18 de abril de 2017

ELE QUER FAZER COM LULA O QUE FEZ COM MARISA LETÍCIA

Em ação sincronizada com a rede Globo, Sérgio Moro, sem o menor respeito à lei, determina que Lula seja coagido a acompanhar nada menos de 87 depoimentos. O que é um direito  do réu (que ele exerce se quiser) foi convertido em instrumento de tortura psicológica e prática, uma vez que o Lula terá que se deslocar de onde estiver para Curitiba a cada audiência. Com isso, Moro não quer apenas prender Lula, mas destruí-lo com fez com Marisa Letícia. Ao massacre midiático da Globo, que tenta com isso esconder Aécio, Alckmin, Serra e FHC, delatados pela Odebrecht, se soma a tortura de um mau juiz e mau caráter.

A fixação de Sérgio Moro por Lula tem componentes políticos inequívocos, mas também psíquicos. Ambos se retroalimentam. Como a delação da Odebrecht da lista de Fachin atingiu em cheio a cúpula do PSDB que Moro tem a missão de defender, ele e a rede Globo, com a qual atua em sincronia finíssima, se viram forçados a dar carga máxima em suas ações para tirar do foco os políticos que estão incumbidos de defender. Porém nem só de raciocínio político vive a república clandestina de Curitiba: o ódio dos Marinho e de Moro por Lula é de tal magnitude que os faz perder o senso de realidade.

Por um lado, o exagero do noticiário da Globo revelou descontrole e escancarou a militância partidária da emissora, pois as denúncias em massa e as investigações abertas seguiram rumo inverso ao de seu noticiário: apontando diretamente o ninho tucano. Por outro lado, Moro, afoito em pegar carona no bombardeio da Globo contra Lula, movido por seu ódio, incorreu em um abuso de autoridade flagrante, do qual terá dificuldade de se desembaraçar.

Como o dia 3 de maio se tornou um problema gigantesco para Moro, haja vista a praça de guerra que Curitiba pode se tornar nesse dia, ele tentou de um só golpe:
  1. Livrar-se do já incômodo dia 3 de maio, estendendo-o no tempo, ao multiplicá-lo o por 87.
  2. Submeter Lula à mesma tortura e ao mesmo fim que ele reservou a Marisa Letícia.
Moro não é apenas um político de tocaia no Judiciário e protegido pela toga (item 1 acima), é um paciente sintomático, sádico, desequilibrado, mitômano, e megalomaníaco, sem condições morais ou psíquicas para exercer a função de juiz (item 2 acima).

No primeiro caso, deve ser desmascarado e impedido de julgar Lula ou quem quer que seja; no segundo, deve ser afastado da função, encaminhado para tratamento psiquiátrico ou internado.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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sábado, 15 de abril de 2017

AS TRIPAS DE FORA DO CAPITALISMO BRASILEIRO


Ao tentar destruir Lula, esquema golpista que envolveu os três poderes, a grande imprensa e empresários abriu a caixinha de Pandora do capitalismo neoliberal brasileiro. Porém se ilude quem acha que todas as tripas já estão de fora: o Judiciário, grandes empresas, banqueiros e a grande imprensa tentam esconder as suas vazando as dos outros e as jogando no ventilador.

As delações da Odebrecht, cujo objetivo principal era somar forças com Moro para destruir Lula, apresentaram um efeito colateral mórbido e devastador não esperado pela máfia que armou o golpe de Estado de 2016 no Brasil.

Embora a grande imprensa faça barulho e fumaça em torno de Lula, os depoimentos dos proprietários da Odebrecht e de seus executivos espalharam tripas rasgadas com seus respectivos conteúdos por todo lado. Nem mesmo a rede Globo ficou de fora da deduragem do decano da empreiteira.

Mais do que um sistema de corrupção, o que vaza por todos os lados são modestas amostras dos intestinos do capitalismo brasileiro. Modestas porque apenas umas poucas empreiteiras foram forçadas pelas circunstâncias a revelar como movem a gigantesca máquina de extorsão com a qual a burguesia suga em golfadas o sangue dos trabalhadores e os cofres do Estado.

Enquanto corrijo pilhas de provas e trabalhos de alunos, me pergunto: alguém realmente crê na hipóteses de que alguma grande empresa, seja de que ramo for (da imprensa ao agronegócio, da metalurgia à indústria automobilística, da indústria livreira à de construção civil) ficou fora desse sistema?

Que são os políticos financiados por essas empresas e setores patronais senão funcionários dos interesses delas e deles nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em todos os níveis: municipal, estadual e federal? Ou alguém acredita que Bolsonaro defende a indústria armamentista apenas por ideologia? Ou que Gilmar Mendes, Janot e  Moro querem destruir Lula apenas porque eles, juízes e procuradores, são honestos e Lula, "ladrão" - segundo a ótica muito particular de honestidade deles?

A ausência de representação dos trabalhadores nos três poderes é a principal causa de nossa desgraça atual. Enquanto o poder econômico dominar a política e o Judiciário, um esquema podre será substituído por outro com o mesmo fim: sugar o sangue dos trabalhadores e saquear o Estado, convertido em máquina de dragagem em escala astronômica das energias das classes trabalhadoras  e das riquezas por elas produzidas em favor de uma classe empresarial parasita, perdulária e imoral - e que não gosta de ser chamada pelo nome: burguesia.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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quinta-feira, 13 de abril de 2017

GLOBO EMPURRA O BRASIL PARA O OLHO DO FURACÃO

Rede Globo produz enorme ventania e fumaça em torno de Lula (presente no depoimento de Marcelo Odebrecht por um "eu acho que ele sabia"), para tentar esconder pmdbistas, Temer e seu governo, mas principalmente Aécio Neves, Geraldo Alckmin, FHC e demais tucanos delatados com toneladas de provas materiais. Porém, diz o dito popular, "Quem planta vento, colhe tempestade". No caso, quem planta ventania, colhe furacão: furacão Lula.

O esforço da rede Globo e seus parceiros de golpe (Folha, Estadão, Band, Record etc.) nos dois últimos dias para produzir uma cortina de fumaça sobre o governo Temer e os mais recentes delatados pela empreiteira Odebrecht chega a ser comovente.

Enquanto senadores, deputados, governadores tucanos e pmdbistas e o próprio Temer, delatados com provas inequívocas, fazem malabarismos para não aparecerem em público para dar explicações, os órgãos de imprensa que emprestam suas antenas e páginas para desinformar e manipular a população produzem um vendaval de  "notícias" contra Lula.

Eles fazem isso pois sabem que a única figura no país capaz de produzir tamanha sobra no noticiário, a ponto de engolir todos os golpistas delatados juntos, é o operário que já foi duas vezes presidente e que é o favorito à disputa presidencial de 2018. A conta é simples: sendo tão grande, ocupará todo o noticiário, então, vamos por fogo nele, assoprar, que dará fumaça suficiente para nublar o visão do país inteiro.

Porém, toda vez que Lula até hoje foi testado em seus limites, ele cresceu, como aqueles atletas que, quando provocados, rendem seu máximo desempenho. A estratégia da Globo força que Moro se mexa lá na republica clandestina de  Curitiba antes de 3 de maio para prender Lula. O problema é que o juizeco terá que prender um furacão que a Rede Globo pode ter assoprado antes da hora e com força demais.

Leia o artigo do portal Brasil 247: Curitiba pode ter guerra aberta no dia do encontro entre Lula e Moro.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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segunda-feira, 10 de abril de 2017

MORO NÃO REÚNE CONDIÇÕES SEQUER MORAIS PARA JULGAR LULA

Ele persegue e tortura psicologicamente suas vítimas; comete crimes aberrantes contra a Constituição; organiza esquema clandestino para destruir por ódio seus inimigos e  para proteger amigos, empregando maus funcionários do Ministério Público e da Polícia Federal; financia filme com dinheiro da corrupção para atacar réu a quem cabe julgar; considera que dinheiro criminoso de propina tucana na Suíça não faz mal a ninguém e... quer julgar Lula.

Porém, como a situação do golpe de Estado vai se deteriorando a olhos vistos, a cada palavra que Sérgio Moro diz, sua língua tucana se enrosca no bico. Em Harvard, tentando justificar por que não prende tucanos envolvidos em corrupção, saiu com a pérola transcrita acima, numa antecipação de sua sentença esdrúxula que inocentou Cláudia Cruz, a corrupta e esbajadora esposa do não menos corrupto Eduardo Cunha, que obteve esse "resgate" de Moro para não dar com a língua nos dentes e delatar toda sua máfia, de que o próprio Moro faria parte, data venia, excelência.

Já em 10/04/07, ao colher delações de Marcelo Odebrecht à base do "você diz o que eu quero ouvir e eu te solto", o suposto juiz, durante o próprio depoimento, que ocorreu sob segredo de justiça, foi avisado de que a audiência estava sendo vazada on line em tempo real por um site de direita.

Quem vazou? O próprio suposto, que inocentou a mulher de Cunha afogada em provas de corrupção da grossa e condenará Lula e tentará prendê-lo (não necessariamente nessa ordem), sem prova alguma, não em nome da justiça, mas em nome de seu projeto de poder, que está desmilinguindo, intimamente ligado aos do PSDB, cujo presidente Aécio Neves foi flagrado em interceptação telefônica que estarreceu o país, na qual, na parte mais branda, ele encomenda o assassinato do próprio primo, encarregado de transportar mala abarrotada de dinheiro de  propina.

Cabe aos democratas, trabalhadores e movimentos sociais exigirem o afastamento imediato de Moro não só do processo movido por ele contra o presidente Lula, mas de toda a Lava Jato e da própria magistratura, pois não há a menor possibilidade de ele agir com a mínima isenção reclamada pela toga.

Moro não é apenas inimigo de Lula e tem interesse pessoal e político direto em sua condenação: ele não reúne condições básicas sequer para o exercício do cargo que ocupa.

Por isso não pode e não deve julgar nem Lula nem ninguém. E suas sentenças precisam ser reformadas por um verdadeiro Juiz, com "J" maiúsculo.

Grato pela leitura. Estes artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.

Sobre o vazamento em tempo real, leia clicando aqui.
Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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sábado, 8 de abril de 2017

MORO VAI PARA O TUDO OU NADA CONTRA LULA

No xadrez tosco de Sérgio Moro, uma das cabeças da hidra do golpe de Estado que devasta o Brasil, restam apenas mais dois movimentos, nesta ordem: 1º. prender Lula sem condenação ; 2º. condená-lo sem provas. Não se iludam, o calendário eleitoral exige que ele faça esses dois movimentos já.

O Hitler da clandestina República de Curitiba, aflito em não desaparecer das primeiras páginas do jornais da grande imprensa e dos noticiários da rede Globo, deu publicidade a um roteiro do qual agora virou refém: declarou inúmeras vezes que seu objetivo é prender e condenar Lula e marcou uma data para o início de sua ofensiva final: 3 de maio de 2017.

Essa data não é aleatória: deriva da necessidade de eliminar Lula da disputa eleitoral de 2018, o que tem de ser feito obrigatoriamente neste ano de 2017, de preferência no primeiro semestre, para garantir condenação de Lula em segunda instância antes de disparado o prazo legal que garante a candidatura do ex-presidente.
O próprio Sergio Moro declarou diversas vezes que sem apoio da manada fascista que a rede Globo mobiliza ele não terá força política de fazer o que deseja com compulsão de monomaníaco, uma vez que a Constituição ele rasgou há tempos: linchar Lula para deleite dessa mesma manada fascista. Porém...

Antes das manifestações de extrema direita do dia 26 de março passado, o suposto juiz (nas palavras do jurista Bandeira de Mello) gravou um vídeo, como sempre faz, para ser usado como convocatória dessas ações dos camisas amarelas. Quem assistiu a esses vídeos, extraiu dali a seguinte mensagem: "Não me deixem só".

O fiasco dessas manifestações foi completo e, mesmo onde os poucos gatos pingados dispostos a se exporem ao ridículo compareceram, a figura de Sérgio Moro sequer ficou em destaque, perdida em meio a discursos confusos, plaquinhas com erros de português e bizarros apelos por "intervenção militar já". O efeito de seu vídeo foi o mesmo conquistado por Collor quando de seu processo de impeachment: seus partidários viraram-lhe as costas.

Assim, o pior dos mundos está se formando no horizonte de Sérgio Moro: sua "popularidade" cevada pela mídia golpista, entra em melancólica maré vazante, enquanto a do presidente Lula, depois da transposição do São Francisco, avança em irresistível maré cheia, que tem tudo para se tornar um tsunami a varrer o país a partir dia 3 de maio. Por isso não resta outra alternativa ao Hitler de Curitiba a não ser partir para o tudo ou nada, mesmo antes de 3 de maio, se vir oportunidade.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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