quarta-feira, 29 de março de 2017

AÉCIO E MORO NÃO SÃO APENAS BONS AMIGOS

A página Inca Venunsiano, do Facebook, registrou com humor e em imagem certeira os dois pais do golpe de Estado que submete o Brasil a um tormento que parece não ter fim. Para quem está acostumado a trair em público, ser flagrado debaixo dos panos não causa vergonha alguma.
Outra montagem hilária do impagável Inca Venusiano.
As relações promíscuas de Sérgio Moro com Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Jorge Dória e outros caciques tucanos (mas agora também Temer e outros criminosos do PMDB) pelo país já não causa nenhum espanto. O fato de ele posar para fotos com corruptos sob as lentes da rede Globo já foi assimilado como algo natural há bastante tempo.
Moro: juiz partidário... e não faz questão de esconder.
A novidade é que isso agora vai minando e trincando sua imagem, a ponto de ela se prestar como uma luva ao sarcasmo, que é uma característica sagrada dos melhores humoristas brasileiros. Não é à toa que um dos maiores inimigos do regime militar era o jornal O Pasquim, em que cartunistas da melhor safra se esbaldavam com os ditadores de plantão.
Charge do legendário O Pasquim, inimigo número zero dos ditadores.
Em torno do humor brasileiro criou-se inclusive uma mística: quando vira piada, o ditador passa para a história, mas está acabado. Parece que o Flautista de Hamelin está tocando para o casal em destaque acima.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


http://www.lojanovaalexandria.com.br/catalogsearch/result/?q=era+uma+vez+no+meu+bairro


segunda-feira, 27 de março de 2017

TODO HITLER PRECISA DE SUA LENI RIEFENSTAHL

Leni Riefenstal foi a cineasta responsável por registrar e dar contornos cinematográficos místicos a um personagem medíocre, Hitler, que afundou a Alemanha, a Europa e o mundo na maior carnificina da história. Sem suas imagens veiculadas em massa, cujo ponto alto é o filme Triunfo da Vontade, que projetaram o ditador nazista como um salvador da pátria, o caminho da derrota do "fuhrer" teria sido mais curto e menos doloroso a todos. A rede Globo é a Leni Riefenstahl do patético Sérgio Moro.

O filme que ela patrocina, e no qual quer usar imagens ilegais da condução coercitiva de Lula, colhidas pela Polícia Federal, a nossa Gestapo tupiniquim, entra em numa seara já explorada por outro fascista: Hitler.

Hitler percebeu bem cedo que, para atingir seus objetivos, necessitaria de uma verdadeira máquina de guerra propagandística e midiática. O nazismo só chegou onde chegou por força dessa máquina cujo papel era avassalar a consciência da população de forma a conduzi-la como manada.

Para Moro, essa máquina é cedida pela rede Globo, que precisa construir um personagem de contornos místicos para veicular uma narrativa cinematográfica de massa, que cause comoção no público e ofereça contraponto à popularidade de Lula.

Por isso temos que desmistificar a farsa Sérgio Moro e o papel nefasto da rede Globo, antes que ambos desencadeiem no Brasil uma tragédia de proporções bíblicas.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quinta-feira, 23 de março de 2017

O PODER PARALELO E CLANDESTINO DE MORO DEVE SER DESTRUÍDO

Imagem que circula na internet traduz Moro e seu poder paralelo.
Os recorrentes episódios dos últimos três anos no Brasil de Lava Jato evidenciam que o suposto juiz (nas palavras do jurista Bandeira de Mello) Sérgio Moro organizou um poder paralelo clandestino que envolve de policiais federais a membros do Ministério Público, de jornalistas da grande imprensa e cineastas, bancados com dinheiro de crimes investigados pela própria Lava Jato, a hackers e internautas bandidos agindo na sombra. É nosso dever destruir essa organização paralela ao Estado, portanto, criminosa.

Os atentados de Sérgio Moro à democracia, ao Estado Democrático de Direito e a setores da indústria nacional seriam impossíveis caso ele não tivesse organizado um poder paralelo clandestino que, agindo na sombra e fora da lei, ameça, intimida, coage e destrói reputações, pessoas e setores inteiros da economia - e que avassala os três poderes: o Executivo na figura de um fantoche chamado Temer, a Câmara Federal, o senado da República e o próprio STF, convertido apêndice acovardado da clandestina República de Curitiba.

http://www.lojanovaalexandria.com.br/nova-alexandria/era-uma-vez-no-meu-bairro.html?mode=list
Um romance sobre uma São Paulo violenta, onde cabe a poesia, o amor e a amizade. 
Urge que a estrutura desse poder paralelo criminoso seja desvendada em seu organograma e fluxograma, e que seja exposta à sociedade com todos os nomes e hierarquias que a compõem. Já há material suficiente para isso, pois os rastros e as digitais desse poder paralelo estão por toda parte.

É dever dos democratas destruir esse poder paralelo clandestino e nefasto que guindou um personagem primário, sem alcance intelectual e corroído de ódio ao centro do poder de fato no Brasil. O verdadeiro golpe foi dado por Moro, que é hoje nosso ditador de plantão, agindo sem freios, a patir dos porões de seu poder paralelo, clandestino e criminoso.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.



terça-feira, 21 de março de 2017

ABAIXO SÉRGIO MORO E SUA GESTAPO

A prisão temporária do jornalista Eduardo Guimarães esta semana (no dia 21/03/17) é mais uma truculência do ditador Sérgio Moro. Se o Hitler de Curitiba não for contido, nossa democracia e o Brasil restarão em frangalhos.

Na manhã de terça-feira de 21/03/17, sem intimação prévia, Sérgio Moro mandou prender temporariamente o jornalista Eduardo Guimarães. Seu objetivo é único: perseguir seus inimigos políticos valendo-se do manto da imunidade que a toga pretensamente lhe confere.
Jornalista Edu Guimarães é libertado após sofrer coação do juiz Sérgio Moro.
Sob o álibi disfarçado de obrigar o jornalista a delatar sua fonte de informação (o que contraria abertamente a Constituição Federal), a mesma fonte que o preveniu da "prisão coercitiva" de Lula, no ano de 2016, o Hitler de Curitiba visa coagir o jornalista e impedir sua atividade profissional, uma vez que lhe confiscou todos os equipamentos de trabalho.
Ato realizado no mesmo dia da prisão do jornalista.
Os ministros do STF já deixaram claro que, seja por serem sócios do golpe de Estado, de que Moro é garoto propaganda e fuzileiro, seja por covardia pura e simples, ou ainda pelas duas razões, não porão freios aos crimes praticados por ele. Nesse caso, caberá ao povo por fim a sua ditadura.

Leia o excelente artigo de Luís Nassif clicando aqui.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 18 de março de 2017

A CARNIÇA DO GOVERNO TEMER-TUCANO


Operação Carne Fraca da Polícia Federal revela esquema podre não apenas nos frigoríficos investigados, mas na própria Polícia Federal. Grampeado desde fevereiro do ano passado, algum ente da sombra atirou a Gestapo tupiniquim sobre Osmar Serraglio apenas agora que ele se tornou ministro de outro esquema podre: o governo Temer.

Governo Temer-Tucano não consegue passar algumas horas sem produzir notícias péssimas para o Brasil. Agora, sua Polícia Federal, uma verdadeira Gestapo sem controle, mira nos grandes frigoríficos produtores e exportadores de carne e acerta seu ministro recém nomeado, financiado com propinas de carne estragada.

Com uma só jogada midiática, a Polícia Federal, tropa de elite do golpe de Estado, acertou três alvos: Osmar Serraglio, Temer e um do setores mais importantes da produção e da exportação do país: a indústria da carne e, por tabela, o agronegócio.

Assim, Temer serve de uma só vez três pratos podres: 1o.) aos políticos de seu governo, as propinas; 2o.) aos concorrentes do Brasil, os gigantescos mercados interno e externo da carne; e ao povo, a carne em três opões: podre, cancerígena e com papelão.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


quarta-feira, 15 de março de 2017

PODE SER A GOTA D'AGUA QUE FALTAVA E QUE NÃO FALTA MAIS

A ousadia de Temer e Aécio Neves em promover um golpe de Estado (a partir da massa podre do PMDB e dos tucanos), que colocou no poder uma escória política da pior espécie, pode estar com os dias contados: a tentativa de acabar com a aposentadoria dos trabalhadores é a gota d'água que transbordou a paciência do povo. O governo Temer-tucano pôs seu primeiro pé no caixão hoje, 15 de março de 2017.

As imensas mobilizações e protestos que ocorrem por todo o Brasil hoje dão o sinal de que a paciência do brasileiro com Temer, Aécio, Moro, Janot e STF transbordou. O dique foi rompido não por uma razão claramente política, mas por uma questão econômica que atinge a todos os trabalhadores: o direito de se aposentar em tempo adequado e com dignidade.
Foto: Portal Brasil 24/7
Para garantir os salários e aposentadorias de 30, 40, 80 e mais de 100 mil reais de juízes e políticos, o governo golpista enviou para o Congresso um projeto de emenda constitucional (PEC 287/2016) de reforma previdenciária que manda a conta da farra desses marajás para o povo pobre, que literalmente não se aposentará para custeá-los eternamente.

Grande parte da população já entende que o golpe contra Dilma não foi exatamente para sanear da política os corruptos, mas para, ao contrário, colocá-los no poder de maneira a que saqueiem na fonte o Estado brasileiro e os direitos dos trabalhadores, em favor de uma burguesia imoral e corrupta até a medula. O governo Temer-tucano pôs seu primeiro pé no caixão hoje, 15 de março de 2017.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.



terça-feira, 14 de março de 2017

LULA: UM DEPOIMENTO HISTÓRICO

O depoimento do presidente Lula hoje na 10a. Vara Federal de Brasília (14/03/17) passará para a posteridade como um daqueles momentos de viragem histórica, após o qual nada será como antes. Impressiona o tom do depoimento: firme, forte, combativo, consistente, duro, pero sin perder la ternura jamás!

Durante os 48 minutos de depoimento ao juiz Ricardo Leite, Lula (ainda abatido pelo luto da perda de sua esposa Marisa Letícia, vítima da truculência de Sérgio Moro) respondeu a todas as perguntas de modo incisivo, assertivo e detalhado. Segundo o presidente, Delcídio do Amaral faltou com a verdade à justiça ao arrolá-lo em sua delação premiada, e deve tê-lo feito para jogar sobre as costas de terceiros a responsabilidade dos ilícitos praticados por ele mesmo.

Com relação a Severó, o presidente voltou a enfatizar que não o conhecia, portanto não tinha nenhum interesse de nomeá-lo para cargo nenhum, nem na Petrobrás nem em outro posto qualquer. Afirmou que era de conhecimento geral a amizade pessoal de Delcídio com Severó, e que se a alguém caberia explicações sobre essa relação, era aos dois. Disse ele: "Doutor, só tem um brasileiro que poderia ter medo de um depoimento do Severó, pela relação que tinha com ele, que é o Delcídio".
Manifestante hoje em frente à 10.a Vara de Brasília
Com relação a Bumlai, Lula novamente reiterou serem amigos pessoais e que, por essa razão, nunca trataram de assunto além dos pessoais. Quanto a relações de Bumlai com Delcídio, o presidente também afirmou que apenas perguntando aos dois a natureza de seus negócios é que se poderia saber algo, uma vez que com Delcídio, quando presidente de honra do Instituto Lula, só tratou de questões institucionais e políticas, já que o senador era líder do governo naquela casa.

Lula enfatizou que se alguém usou seu nome para obter qualquer vantagem, não cabe a ele a responsabilidade por isso. Narrou inúmeros casos de pessoas que fazem folhetos com sua foto, publicam propagandas com seu nome sem que ele sequer saiba quem são e o que fazem essas pessoas. Lula afirmou que não indicou Severó a nada e que, portanto, se seu nome foi usado sem autorização por quem quer que seja para colocá-lo em algum lugar, cabe a essa pessoa explicações.

Denunciando o massacre midiádico que sofre, Lula desafiou os presidentes da rede Globo, da Record e da Band a irem à justiça e delatá-lo, se tiverem provas de suas denúncias. Também desafiou empresários, já delatados, investigados ou ainda a serem acusados a apresentarem provas de que lhes pediu cinco centavos que fosse como vantagem a qualquer título.

Impressiona o tom do depoimento: firme, forte, combativo, consistente, duro, pero sin perder la ternura jamás!


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 13 de março de 2017

OPERAÇÃO ABAFA PARA SALVAR TUCANOS E OUTROS RATOS

As delações premiadas e os depoimentos de executivos e dos donos da empreiteira Odebrecht obrigam a que o quartel general do golpe de Estado no Brasil, agora instalado inteiramente no poder Judiciário, desencadeie a maior operação abafa da história do Brasil para salvar tucanos e outros ratos (voadores ou rastejantes).

Com a intenção de impedir que o governo Temer desmorone antes da hora junto com seus aliados tucanos, STF, Ministério Público Federal (MPF), na pessoa de Rodrigo Janot, juiz Sérgio Moro e mídia golpista decretam segredo de justiça para todo e qualquer depoimento que incrimine Michel Temer, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra, FHC e outros tucanos de plumagem suja de lama e peemidebistas pegos na ratoeira já manjada da Lava Jato.

Como é impossível obrigar que omitam em seus depoimentos as propinas bilionárias pagas a caciques do PMDB e do PSDB, uma vez que a "delação premiada" pressupõe o detalhamento de esquemas criminosos que se estenderam por décadas, os membros do Judiciário - que inclusive podem ser atingidos por essas delações - decretam a lei da mordaça.

Com isso, esses juízes e membros do MPF corruptos até a medula filtram para a imprensa que os apoia apenas trechos de depoimentos que lhes interessam, de modo a atingir não todos os eventuais envolvidos em ilícitos, mas seletivamente apenas membros do Partido dos Trabalhadores e de outras organizações e esquerda e suas entidades e sindicatos.

Essa manipulação corrupta do processo judicial tem por objetivo manipular a "opinião pública" para garantir a destruição de correntes políticas democráticas e dos movimentos sociais que lhes servem de base, abrindo espaço para a entrega de riquezas estratégicas do país a trustes estrangeiros - a exemplo do que já ocorre aceleradamente com a Petrobrás, que vai sendo esquartejada e entregue aos pedaços a empresas estrangeiras.

No atual estágio do golpe, o Judiciário tem de ter atingido frontalmente por mobilizações populares fortíssimas, de modo a fazer com que seus membros corruptos sejam duramente punidos, seja por adulteração dos processos judiciais com o objetivo de favorecer aliados políticos do PSDB e do PMDB, seja por coonestar com a destruição do Brasil e com a entrega de nossas riquezas a empresas estrangeiras, que não tendo investido um centavo aqui, levam o melhor do que temos sem esforço algum.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


segunda-feira, 6 de março de 2017

A BATALHA DE CURITIBA: UM FURACÃO COM DATA MARCADA

Na ânsia de aparecer, Sérgio Moro sacramentou para o dia 3 de maio seu "cara a cara" com Lula na República Clandestina de Curitiba. Pode não ter sido uma ideia muito brilhante desse "suposto juiz", nas palavras do jurista Bandeira de Mello. Já se levantam imensas ondas de mobilização nas redes sociais rumo a Curitiba para essa data, em defesa de Lula, símbolo de luta pela democracia, pela liberdade e pela justiça social, e contra Moro, ícone da tirania, da prepotência e do golpe de Estado que devasta o país.

Sérgio Moro, inimigo político e pessoal de Lula pode ter cometido um erro trágico para toda a estratégia golpista montada pelo PSDB e pelo PMDB, com metástases no STF, no Ministério Público Federal (no qual Rodrigo Janot desempenha o papel indigno de desembargador tucano em defesa de Aécio Neves) e na Polícia Federal, cuja índole reacionária nunca ficou tão patente.

Em seu delírio de grandeza e seu fascínio pelas manchetes da mídia golpista que o cevou, Moro pode ter atravessado um sinal vermelho fatídico, pois atiçou um movimento que, iniciando-se por Curitiba em 3 de maio,  tem tudo para converter-se num furacão avassalador a varrer o pais. Já causa pânico nos estrategistas do golpe essa "atravessada no samba", essa desafinada geral de um dos personagens mais patéticos da história do Brasil.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

domingo, 5 de março de 2017

O MONOMANÍACO DE UMA NOTA SÓ

O suposto juiz (nas palavras do jurista Bandeira de Mello) Sérgio Moro teve uma recaída por haver perdido os holofotes da mídia para os escândalos protagonizados por Michel Temer e sua máfia criminosa de dezembro passado até estes dias de março, então resolveu dar piti e aparecer, marcando data para se encontrar cara a cara com o objeto detonador de seu transtorno psicótico obsessivo compulsivo: Lula.

Embora a imprensa não tenha dado destaque maior a esse surto do suposto juiz (que inocentou e livrou da cadeia TODOS os corruptos do caso Banestado, TODOS ligados ao PSDB, de que seu pai é fundador e ele advogado de defesa em tempo integral), a audiência agendada por ele para não desaparecer dos noticiários resulta em mobilização nas redes sociais: caravanas de todo o país estão sendo programadas para o dia 3 de maio, data para o surto programado, rumo à Curitiba, com o propósito de prestar apoio ao presidente Lula.

Porém é preciso fazer aqui um adendo na monomania de Moro.

Em face de um STF, de um Ministério Público Federal e de uma Polícia Federal partidarizados, corrompidos até a medula, e covardes o suficiente para não enfrentar Lula tete a tete, esses órgãos, que se tornaram a verdadeira cloaca magna de nossa democracia, escalam no xadrez sórdido do golpe de Estado um peão de primeira instância para pôr em xeque-mate o rei, não um "príncipe", como ele diz somploriame, que arrasta multidões atrás de si.

É  jogada ousada, sem dúvida, pois se obtiverem sucesso, Lula terá sido derrotado por um relé anão moral psicótico mono e megalomaníaco. Se der errado, porém, e é possível que dê (o diferencial aqui será o que a condenação de Lula pode resultar em termos de protestos violentos pelo país, de consequências imprevisíveis), se der ruim pra eles, dizia, uma só tempestade perfeita varrerá Executivo, Legislativo e Judiciário federais, três instâncias completamente apodrecidas, que, numa restauração democrática, terão de sofrer profundas reformas, não sem antes a punição exemplar dos golpistas criminosos.


Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.




sexta-feira, 3 de março de 2017

A força simbólica das palavras


A linguagem, ou a língua, aqui tomadas como sinônimos, pode assumir, a grosso modo, duas dimensões: a pragmática (prática) e a simbólica, sendo que nem a primeira nem a segunda são puras: tanto a dimensão predominantemente pragmática está mesclada com expressões de natureza simbólica, quanto a dimensão simbólica está contaminada pela dimensão pragmática da linguagem.

dimensão pragmática da linguagem diz respeito ao uso cotidiano e prático da língua. Nela, os sentidos das palavras estão próximos e relacionados diretamente com os significados delas no dicionário linguístico: a palavra "caneta" representa um objeto empregado na escrita que se diferencia do lápis, feito com grafite, pelo emprego de tinta. Podemos, ao ouvir ou escrever "caneta", imaginar uma infinidade de formas, tamanhos e cores de caneta, porém a palavra está associada diretamente aos objetos possíveis de comporem um conjunto formado pelos diversos modelos de caneta. Ao chegarmos ao balcão de uma papelaria e pedirmos uma caneta esferográfica azul, o funcionário rapidamente exporá a nossa frente as que tiver para vender: escrita fina, escrita grossa, com cilindro colorido ou transparente etc. Todas, canetas.

Do mesmo modo, no uso didático, as palavras assumem por função esclarecer ideias, tirar dúvidas, exemplificar, refletir sobre aspectos da aprendizagem entre outros significados. As palavras aqui tendem a evitar duplos sentidos, buscam expressar ideias, conceitos, fórmulas, pensamentos com a maior exatidão possível, eliminando tanto quanto possível ambiguidades que induzam ao erro.

O mesmo se dá nas linguagens científica (sejam elas no campo das ciências exatas, no das humanas ou ainda no das linguagens) e informativa (ou jornalística), que também tendem à exatidão para comunicar conceitos, modelos científicos, fórmulas, fatos, sistematizar experiências ou experimentos etc.

Na dimensão pragmática o peso interpretativo é mínimo e o descritivo, máximo. Tanto que para os cientistas a partir do século XIX a ciência é antes de tudo uma descrição da realidade.

Em muitos sentidos, a dimensão simbólica é oposta à pragmática. Nela, ao contrário do que se disse até aqui, a linguagem se distancia da exatidão, as palavras se afastam de seus significados no dicionário linguístico e assumem francamente caráter ambíguo (de múltiplos sentidos).

Num romance, conto ou poema em que uma personagem está o tempo todo com uma caneta na mão a rabiscar, rascunhar, escrever, a palavra "caneta" é mais que um objeto destinado à escrita: ela simboliza todas tensões vividas pela personagem, seus sonhos, ansiedades, fantasmas, expectativas, traumas, desejos etc. etc. etc. Quando em posse dessa caneta em movimento, a personagem pode estar se sentido realizada ou torturada, em êxtase ou em sofrimento profundo, próxima do gozo ou à beira do suicídio.

Aqui o uso pragmático da linguagem cedeu espaço ao uso simbólico, que carece não apenas do dicionário linguístico, se bem que também aqui ele tenha lugar, mas de dois outros tipos de "dicionários" desordenados que estão depositados na mente e no coração do leitor: seu repertório de imagens (visuais, auditivas, olfativas, palatais e táteis) e seu repertório próprio linguístico.

Para se penetrar na dimensão simbólica da linguagem, ambos esses repertórios precisam ser ativados - e não basta isso: enquanto essa ativação não for automática e rápida, os sentidos relacionados às palavras não se constituirão no espirito do leitor (é como um computador que entrou em looping, que gira, gira, gira, mas não abre a página desejada e acaba por travar).

Embora os significados das palavras no dicionário sejam a base do sentido simbólico (afinal a palavra "caneta" significa caneta mesmo, e remete à imagem da caneta), para alcançar os infinitos sentidos simbólicos de uma palavra ou expressão (conjunto organizado delas), é preciso interpretar a  palavra enquanto representação de símbolos e imagens, que remetem a sensações, sentimentos, pensamentos, ideias, conceitos, lembranças, experiências alegres ou dolorosas de vida repousadas em nosso inconsciente.

O símbolo "caneta" precisa suscitar em nossa lembrança o prazer de se ter usado pela primeira vez esse objeto. Quando nossa professora falou "Agora vocês podem usar a caneta", foi como se tivéssemos "ficado maiores", mais responsáveis, como se tivéssemos "crescido". Mas também o símbolo "caneta" remete seguramente a experiências que nos fizeram sofrer, por exemplo, aquela prova em que confundimos as alternativas na hora de fazer o X e marcamos por engano as erradas, embora soubéssemos as corretas.

Quanto mais imagens lembrarmos, quanto mais mobilizarmos nosso repertório de imagens, sensações, impressões visuais, auditivas, olfativas, palatais, táteis, conceituais (ideias e pensamento), maiores nossas chances de compreendermos as palavras-símbolo, que são o alfabeto da literatura.

Se a personagem inventada logo acima, presente em um texto de ficção, o tempo todo a rabiscar, escrever, anotar, num dado momento atira a caneta contra a parede e, não contente, a destrói com pisões, não é apenas uma caneta que está sendo destruída, mas talvez um sonho de escritor, poeta e de toda uma vida. Na caneta-símbolo destruída está selado o próprio destino de quem nela depositou tanta esperança subitamente frustrada.

Se essa personagem, arrependida, recolheu a caneta, guardou-a com carinho e a substituiu por outra para ressuscitar seu sonho no papel em branco, impulsos de vida triunfaram sobre os impulsos de morte. Porém se a personagem com a destruição da caneta pôs fim a seu sonho, enterrando-o definitivamente, podemos supor e mesmo deduzir, e mesmo apostar que o caminho de sua autodestruição se abriu como a boca de um dragão infernal. Daí para frente assistiremos à degradação de alguém que tinha tudo para dar certo, mas que perdeu-se definitivamente ao perder seu sonho.

A literatura depende dessa habilidade imaginativa do leitor, que pode e deve ser desenvolvida por meio de jogos simbólicos e práticas criativas de conversão da palavra-símbolo em imagens e da associação delas com situações, sensações, sentimentos, ideias, pensamentos já vividos por nós realmente (na forma de lembranças de experiências boas ou ruins) ou simbolicamente (filmes, músicas, peças de teatro a que assistimos, ou ainda jogos, brincadeiras, diversões prazerosas em que nos envolvemos durante a vida).

Quem não consegue imaginar, não acha graça em uma personagem ou situação hilária, porque simplesmente não a viu em sua mente, por conseguinte não a sentiu em seu espírito. Como rir do que, por não conseguirmos associar a nada, sequer visualizamos ou sentimos?

A cena da personagem pisoteando a caneta pode assumir um caráter trágico. Para captar essa tragédia,  precisamos visualizá-la em detalhes. Porém, o autor pode introduzir um elemento de humor para "avisar o leitor" de que, afinal, o drama da personagem não é assim tão grave, e que seus exageros um tanto ridículos representam o ridículo a que todos nós estamos sujeitos quando perdemos o controle sobre nossas emoções.

No cinema, Chaplin foi campeão em extrair o riso dessas situações constrangedoras em que nos envolvemos sem querer, que parecem o fim do mundo, quando na verdade são apenas raiva momentânea e humanamente aceitável, digna de tudo, não de lágrimas.

A interpretação envolve assim a mobilização de dois repertórios interiores, o imagético e o linguístico, numa conversão (quanto mais automática possível, melhor) de palavras em imagens e símbolos, e destes novamente em palavras, que trazem para a consciência os segredos e mistérios embutidos nas imagens e nos símbolos.

Se não captamos a piada implícita, perdemos a oportunidade de rir e de extrair do riso a possibilidade de superação da dor que mora atrás ou no fundo de cada piada. Porém para captar a a ironia do riso, é preciso imaginar a cena toda e deduzir dela o ridículo, o engraçado, o vexame, o humor.

Assim, quem "não gosta" de literatura tem antes de tudo uma questão a resolver com sua própria imaginação. Sem imaginar, não dá para sentir, gozar, ter prazer - aliás, nem com literatura, nem com coisa nenhuma.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


quinta-feira, 2 de março de 2017

NINA E O POÇO CEGO DENTRO DE SI

Quando foi expulsa do útero de sua mãe, Nina sentiu-se completamente desprotegida, solta num mundo que se lhe apresentou hostil e no qual não teria chance alguma de sobreviver sozinha. Até aquele momento guardada no ninho morno e aconchegante, protegida dos ruídos doloridos, da luz ofensiva e do ar frio, agora ela teria, além de enfrentar esses desconfortos, que respirar e se alimentar por conta própria, pois, cortado o cordão umbilical, sua mãe não lhe deixou outra alternativa. Essas foram as primeiras impressões que se gravaram no corpo e no inconsciente de Nina tão logo ela se separou da mãe.

Tomado o primeiro banho, Nina foi levada à mãe, que a conchegou no colo nu e a fez sentir o calor morno dos seios inchados de colostro - e depois de leite. Nina sentiu-se confortável, olhou para cima e viu de maneira embaçada uma imagem. Essa imagem lhe falava em voz doce. Em seu corpo, Nina sentiu o toque agradável das mãos e dos braços maternos. A imagem embaçada do rosto, aquela voz, aquele calor, aquele toque foram das primeiras imagens visuais, sonoras e táteis impressas no corpo e na psique de Nina - e eram imagens boas, afinal, o mundo do lado de fora se tornava menos hostil em face desse acolhimento amoroso e confortável.

Alojada no colo, agora a mãe a leva ao seio. Porém Nina não sabe o que fazer, pois até a pouco se alimentava pelo cordão umbilical. A mãe insiste, besuntando os lábios da filha com o líquido espeço que vaza da mama. Ainda não sabe o que é sabor (imagem gustativa), mas Nina sente um cheiro que, ao se associar com as imagens agradáveis anteriores (o rosto a inspirar segurança, a voz doce, o calor e o toque prazerosos), ganha um sinal de positivo em suas impressões iniciais do mundo.

Espera! Esse cheiro vem desse líquido espesso... Será que é bom?

Depois de várias tentativas, Nina descobre o que fazer: sugar. O líquido entrando pela boca, descendo pelo aparelho digestivo dá um grande prazer. A dor na barriga desaparece, a irritação vai embora e, enquanto suga o colostro, Nina olha para cima e, em pouco tempo, não no mesmo dia, talvez nem nos próximos, vai enxergando mais nitidamente aquele rosto amoroso, aquele olhos doces e associando-os ao imenso prazer de mamar e... cochilar deliciosamente.

Ao longo de sua vida, bilhões de imagens visuais, sonoras, táteis, palatais, olfativas (agradáveis e desagradáveis; prazerosas ou profundamente traumáticas) se imprimirão no corpo e na psique de Nina. Muitas dessas "impressões" físicas e psíquicas ficarão, modo de dizer, à flora da pele, outras serão esquecidas e ficarão depositadas, em estado latente, em seu inconsciente. Às vezes aparecerão em sonhos ou pesadelos, às vezes voltarão à tona ao acaso na forma de lembrança: um cheiro que remete a uma situação perdida no tempo; um pôr-de-sol que a fará recuar anos no passado e experimentar com a mesma intensidade de criança uma sensação associada a uma pessoa amada e, miséria das misérias, perdida para sempre.

A verdade é que Nina enlouqueceria caso se lembrasse de tudo que viveu, ou caso sentisse tudo a que seu corpo e sua emoção foram expostos, sem o amortecimento do tempo. Noutras palavras, sem o recalque de um mundo de sensações e impressões físicas e psicológicas, Nina não se teria convertido em menina, moça e mulher.

Sem entrar em muitos meandros que cabem mais aos psicólogos do que a escritores ou professores de língua e literatura, meu caso, o que importa aqui saber é que Nina, como todos nós, é uma parte consciência, outra parte mistério (inconsciência). Com certeza, a parte maior de nós e dela é a que fica encoberta, recalcada, trancada nos porões ou sótãos da nossa psicologia - e dela .

Gosto de empregar a alegoria do poço: nosso inconsciente é um poço cego, profundíssimo, escuro, mas cheio de água - doce ou podre, potável ou infecciosa, clara ou cheia de lodo, plácida ou tormentosa.

Ao longo da vida, nossas experiências convertidas de imagens em sensações (de dor ou prazer, gozo ou frustração, euforia ou medo, entre milhões de outras) escorrem pelas fendas do chão duro da nossa consciência e vão se depositar nos "lençóis freáticos" do nosso inconsciente, de que desconhecemos a profundidade e extensão.

Ao abrir um poço para trazer de volta à tona um pouco dessa água, fizemos uma parte do que é possível para resgatar uma mísera fração de tudo que vivemos e que ficou impresso em nossa própria profundeza.

Porém abrir esse poço é só metade do trabalho: é preciso ter às mãos ao menos  uma corda e um balde, para, com a frequência necessária à nossa sanidade, atirá-lo ao fundo e com ele puxar um tanto dessa água clara ou turva, límpida ou poluída, potável ou venenosa.

Esse poço, essa corda e esse balde, são a linguagem verbal.

É por meio dela que temos a possibilidade de tornar consciente, por meio da conversão de imagens e símbolos em palavras, aquilo que, escorrendo pelas fendas de nossa consciência ao longo dos anos, foi se depositando no fundo desse poço cego que é o nosso inconsciente.

Se não desenvolvemos essa habilidade de ir ao poço do nosso inconsciente munidos ao menos dessa corda e desse balde, manifestações desse inconsciente um belo dia saltarão acidentalmente pelas mesmas fendas de nossa psicologia pelas quais desceram na forma de pesadelos - quando dormimos - ou na forma de sintomas (mal-estar aparentemente sem origem, angústia, depressão - ou mesmos sintomas físicos ou psíquicos compulsivos, que requererão auxílio de profissional especializado).

E onde é que a literatura entre nessa conversa?

A literatura (ficção ou poesia), linguagem em potência máxima, é por excelência o kit perfeito para furar poços, com corda, balde e sarilho junto. Não é à toa que o pai da psicanálise, Sigmund Freud, foi buscar na literatura clássica grega os modelos para o desenvolvimento de sua ciência.

A literatura é um grande laboratório da vida. Todas as possibilidade individuas e coletivas, psicológicas e sociais, íntimas e históricas têm nela livre curso. Nossos medos e fantasmas, nossa coragem e covardia, nossa capacidade para a generosidade ou para a monstruosidade, para o amor e o ódio, a lealdade ou a traição, nossa feiura e nossa beleza, nossos sonhos e nossos pesadelos estão nela esperando por nós ou esperando que soltemos ou projetemos nela nossos anjos e demônios.

Não é preciso se expor à violência para se experimentar todo seu potencial de destruição: há poemas, peças teatrais, romances, contos que nos fornecem farto material para sentirmos e refletirmos sobre ela.

Ainda que por uma razão absolutamente prática, a literatura permite que o indivíduo antecipe consequências de situações na vida real similares àquelas representadas literariamente. Não é preciso se envolver com pessoas cruéis para se saber do que elas são capazes: a literatura universal está repleta de personagens cujas características foram extraídas de pessoas existidas, existentes e possíveis de virem a existir no futuro.

A literatura está repleta de maníacos, de gente sórdida, repulsiva, interesseira, abjeta, capaz de tudo, inclusive de impor os piores sofrimentos a outras pessoas, para atingirem seus objetivos ou simplesmente para obter prazer. Seria ótimo se essas representações não tivessem referência na vida real. Mas já que têm, sempre é bom conhecê-as por meio dos experimentos que a literatura oferece - até porque o monstro pode ser a gente mesmo.

Do mesmo modo, a literatura universal transborda de personagens os mais generosos, corajosos, lutadores, solidários, éticos, bonitos moralmente (e o Corcunda de Notre Dame não é exemplo solitário de feio-lindo) - e também os conflituosos, meios médicos, meios monstros.

Ao nos habilitar em converter imagens e símbolos em palavras e vice-versa, a literatura nos entrega de bandeja os instrumentos para que penetremos nos estágios mais profundos de nossa condição humana e de nossos próprios inconscientes de indivíduos.

Assim fica explicado por que tantos dizem não gostar de literatura: não conseguem converter imagens e símbolos em palavras, e muito menos o processo inverso: converter palavras em imagens e símbolos, que por sua vez se relacionam complexamente com sensações, sentimentos, lembranças, ideias e conceitos. Ou seja, não conseguem mobilizar seu infinito repertório de imagens simbólicas (visuais, auditivas, táteis, palatais, olfativas) acumulado em si mesmos ao longo dos anos. Estão sem poço, sem corda e sem balde para puxar a água de suas próprias profundezas.

Como ninguém gosta de sofrer, ao não se extrair das palavras nada que dê prazer, é comum a rejeição à literatura sob o argumento: "não gosto", que na verdade quer dizer "não consigo": não consigo
converter palavras em imagens visuais, auditivas, palatais, olfativas, táteis, conceituais... - e, por conseguinte, "não consigo sentir  nada".

Porém, ao rejeitar a literatura, ainda que por uma culpa que só não lhe cabe em parte, o indivíduo estará a léguas da humanidade e de si mesmo - e a compreensão que terá dela e de si será sempre, na melhor das hipóteses, infantil e rasa.

Nina não é assim, pois bem cedo descobriu o prazer em jogar o balde bem fundo dentro de si e puxar desse fundo sem fundo um tanto de mundo e outro tanto de si. A literatura é sua terapeuta, seu laboratório de vida e sonhos. Por meio dela ela pode viajar a mundos futuros, mas também imaginar a deliciosa sensação de conforto do seio, do leite e mesmo de útero materno.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.