segunda-feira, 24 de julho de 2017

O JORNALISMO AFUNDANDO O BRASIL NA FOSSA

Se o jornal inventa uma infame calúnia, ela lhe foi ditada. Perante o indivíduo que se queixa, ficará quite pedindo desculpas pela grande liberdade. Se for chamado aos tribunais, queixar-se-á de que não lhe foi pedida retificação alguma; mas ele a pedirá? Não, recusa-a rindo, considera seu crime uma bagatela. Enfim, achincalhará a vítima quando ela triunfar. Se for punido, se ele tem muitas multas a pagar, apontará o queixoso como se se tratasse de um inimigo das liberdades, do país e das luzes. Dirá que fulano é um ladrão, ao explicar que é o mais honesto homem do reino. Assim, seus crimes: bagatelas! Seus agressores: monstros! E ele pode em dado tempo fazer crer em tudo que desejar às pessoas que o leem todos os dias. Além disso, nada que o desagrade é patriótico, e jamais estará errado. Ele se servirá da religião contra a religião, da Carta contra o rei; achincalhará a magistratura quando a magistratura o incomodar e a elogiará quando ela tiver servido às paixões populares. Para conseguir os assinantes, inventará as mais comoventes fábulas, pavonear-se-á como o palhaço Bobèche. O jornal serviria o seu próprio pai cru, sem mais tempero que o sal de suas zombarias, para não deixar de interessar ou divertir seu público. Será o ator colocando as cinzas de seu próprio filho na urna para chorar verdadeiramente, a amante sacrificando tudo a seu amado. 
Balzac, em Ilusões perdidas revela as tripas da imprensa.
A ferida é incurável, será cada vez mais maligna, cada vez mais insolente; e quanto maior for o mal, mais ele será tolerado, até o dia em que a confusão se instalará nos jornais, pela sua abundância, como em Babilônia. Todos nós sabemos que os jornais irão mais longe que os reis em ingratidão, mais longe que o mais sujo comércio em especulações e em cálculos, devorando nossas inteligências vendendo-lhes todas as manhãs sua matéria cerebral; mas ali escrevemos à maneira daqueles que exploram uma mina de mercúrio sabendo que ali morrerão.

O jornalismo tem mil pontos de partido semelhante. Trata-se de uma grande catapulta colocada em movimento por pequenos ódios. Você tem ainda vontade de casar? Vernou [infeliz no casamento] não tem mais coração, o fel a tudo invadiu. É por isso o jornalista por excelência, um tigre com duas patas que a tudo devora, como se suas penas [no séc. XIX escrevia-se com penas de aves] tivessem raiva. 
– O senhor realmente se importa com o que escreveu? – disse-lhe Vernou com um ar de zombaria. – Mas somos comerciantes de frases, e vivemos de nosso comércio. Quando o senhor desejar fazer uma grande e bela obra, um livro, enfim, ali sem poderá colocar suas ideias, sua alma, a ela se apegar, defendê-la; mas os artigos lidos hoje, esquecidos amanhã, valem apenas, a meus olhos, o que se paga por elas. Se o senhor dá importância a tais tolices, fará então o sina da cruz e invocará o Espírito Santo para escrever um prospecto! [...] Todos pareceram surpresos com os escrúpulos de Lucien [que inicialmente se recusou a publicar mentiras] e acabaram por lhe incendiar a toga pretexta [rito de passagem, entre patrícios, da adolescência em Roma] para lhe oferecer a toga viril dos jornalistas.

Trechos do romance Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac, publicado pela primeira vez em 1843.

FONTE: Balzac, Honoré de. Ilusões perdidas. Vol. I. Trad. Leila de Aguiar Costa. São Paulo: Abril, 2010; pp. 367, 368, 393, 433, respectivamente.

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

VOCÊ QUER SAÍDA MILAGROSA? EU, NÃO!

Há quem sonhe, deseje, torça e delire por uma solução rápida, salvadora e milagrosa para a atual crise brasileira, eu, não. Desse buraco em que o golpe de Estado nos afundou não se sai nem de uma vez, nem por passe de mágica.

A atual crise e seu desenrolar tem um caráter pedagógico que um eventual "milagre" econômico ou político desperdiçaria. Quando acreditou no golpe ou se manteve neutra em face da deposição de Dilma Rousseff, grandes parcelas da população apostou sua sorte numa espécie de tudo nada: era só tirar a presidenta que tudo melhoria. Agindo assim, considerou seu voto com o mesmo peso de uma carta de baralho, sem considerar que eleições não são jogo de azar, em que uma rodada ruim pode ser salva por uma onda de sorte.

Na política não há sorte: quando apostou seu emprego, seu poder de compra, sua perspectiva de futuro no cassino viciado do atual Congresso Nacional, o brasileiro que se vestiu de amarelo para xingar Dilma Rousseff e pedir de intervenção militar ao linchamento de quem usasse camisa vermelha, agiu movido por impulsos os piores imagináveis, o principal deles o ódio.

O prolongamento da crise e a falência daqueles nos quais os raivosos da camisa amarela apostaram suas fichas permite que eles, passado o surto psicótico do ódio insuflado pela rede Globo, assistam as consequências de suas ações, reflitam sobre elas e assumam sua parte nesse latifúndio de insensatez.

Sob esse particular, a realidade não tem sido piedosa para com eles - e, por tabela, para com todos os demais: não há um só dia em que as más notícias políticas, econômicas e sociais, fruto da irresponsabilidade para com o voto, não estampem o noticiário dos mesmos meios de comunicação que prometeram o paraíso pós-Dilma.

Não, eu não quero que esse filme seja interrompido agora: quero que ele passe sem cortes, até o fim, e que todos fiquem em suas poltronas até os créditos finais, para que, ao acenderem-se as luzes do cinema, cada qual reflita sobre seu próprio papel nesse filme e nos próximos que virão, ah, virão sim! Até porque "O mundo não acaba hoje, já dei uma olhada na previsão do tempo", disse o poeta.

Por isso, enquanto muitos sonham uma saída milagrosa, eu não: quero que o filme passe por inteiro, cena a cena, quadro a quadro, até as luzes do cinema se acenderem e o lanterninha pôr o último retardatário renitente para fora.

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

sábado, 1 de julho de 2017

DO ÓDIO À ESPERANÇA NÃO SE VAI DE UMA HORA A OUTRA

Não se vai da aprovação ao ódio de uma hora para a outra. A rede Globo, a revista Veja e seus parceiros traçaram um longo percurso de manipulação do inconsciente das pessoas de modo a pô-las em movimento irracional contra os governos Lula e Dilma. Para isso contaram com o apoio da Polícia e do Ministério Público Federal, do STF, do Congresso Nacional e do inescrupuloso juiz Sérgio Moro.

Quando estouraram as manifestações de 2013, o governo Dilma contava com alta popularidade e a economia respondia com bons resultados (o PIB estava na casa dos quase 2,5 trilhões de dólares - hoje, caiu para próximo de 1,5 trilhão). Insuflando e aproveitando essa explosão irracional, sem base na economia, a rede Globo, seguida por Veja, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e outros órgãos da mídia monopolista, partiu para a ofensiva, intensificando o bombardeio midiático contra Dilma e, por extensão, Lula e a esquerda no poder.

Da aprovação ao governo ao ódio que estourou em 2015, e que está na base do Golpe, a rede Globo capitaneou a manipulação do inconsciente de vasta parcela da população, que sem mecanismo de defesa contra essa manipulação, viu sua esperança e aprovação pelo governo converter-se em apatia, depois em angústia, tristeza, decepção, raiva e por fim ódio - essa força irracional e destrutiva que encontra combustível não  na consciência, mas exatamente nas camadas mais profundas de nosso inconsciente, onde moram nosso medos, impulsos incontroláveis sem o aporte da consciência, fantasias, pesadelos e instintos os mais poderosos em estado bruto.

Esperança aprovação  apatia angústia tristeza decepção → medo  raiva ódio.

Sob esse ponto de vista, as decisões que o STF faz questão de esfregar na cara de todos os brasileiros são um choque de realidade, cujo efeito é positivo e cujo sentido é inverso do que trilharam até o golpe, tangidos como gado pelos mecanismos manipulatórios da grande mídia.
Porém não se vai do ódio à esperança de um salto: será necessário cruzar a dolorosa via crucis que passa pela raiva, a decepção, a tristeza:

Ódio  raiva → medo  decepção  tristeza  angústia  apatia  aprovação  esperança.

As fantasias terão de cair todas por terra, para que, diante da realidade nua e crua, o brasileiro ponha a mão na consciência (ele que estava transido pela irracionalidade), e se mova no sentido da esperança, não sem antes ter confrontado todos os seus fantasmas açulados pela mídia, os quais ele perseguiu como em um surto psicótico.

A escala acima pode ser mais detalhada, porém penso que uma pequena parte da população ainda vive o surto do ódio (parcela identificada com Bolsonaro), porém a imensa maioria me parece ter-se descolado do ódio e da raiva e se encontra hoje, após o papelão do STF no caso Aécio-Rocha Loures, no grau da profunda decepção, a caminho da tristeza e da angústia, mas num sentido progressivo, que se as forças democráticas souberem impulsionar, pode se converter em sentimento e desejo de mudança, outro nome da esperança, polo oposto do ódio.

Em que ponto da escala você se encontra?

Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  
  

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

GILMAR MENDES: A BOCA DE ESGOTO QUE ATERRORIZA O JUDICIÁRIO

Gilmar Mendes não é personagem de deixar ninguém na dúvida. Ele é mau caráter, inescrupuloso, truculento e não é à toa que foi chamado por Joaquim Barbosa, quando este ocupava uma cadeira no STF, de jagunço midiático.

Porém sua presença tanto no STF quanto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não é uma anomalia. Nesses dois Tribunais ele cumpre o papel para o qual foi escalado: defender a todo custo os interesses do empresariado urbano, rural e financeiro - por todos os meios que o dinheiro faculta.

Sua força e poder nessas instâncias não deriva de seu estilo "boca de esgoto" (na verdade isso até o expõe mais do que esses empresários desejariam), mas das estruturas de poder que ele defende com unhas, dentes e, naturalmente, com sua boca infecciosa.
O 6o. pecado capital de Gilmar Mendes: a vaidade.
Por isso ele se sente tão à vontade para interpelar desaforadamente (e mesmo ofender) seus colegas de Tribunal, achincalhar a legislação pela qual deveria zelar e a qual está obrigado a fazer cumprir, e para expor com tanta franqueza e falta de escrúpulos sua lógica baseada inteiramente no dinheiro.

O julgamento da chapa Dilma-Temer pode seguir eventualmente um caminho que derrote Gilmar Mendes, porém é preciso constatar: lamentavelmente todos os demais juízes do TSE se borram de medo dele - aliás, os do STF também.

Errou Lula quando disse que todo o Judiciário está acovardado: Gilmar Mendes, não! Ele é uma espécie de Ricardo III, imoral certamente, e talvez a um passo da insanidade, mas... medroso? Não. Ele aterroriza e inspira asco, mente, atraiçoa, ameaça, coage, incita, destrói os que estão em seu caminho. Porém, não esperem dele o que Ricardo III, vilão da peça de Shakespeare, disse em sua última fala, em face da derrota humilhante: "Meu reino por um cavalo". Mais fácil é que Gilmar Mendes saia, ainda que derrotado, montado a cavalo em um de seus colegas de Corte.

Grato pela leitura.
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Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.


domingo, 4 de junho de 2017

DOSSIÊ DALLAGNOL: O CARRASCO DA VEZ DE LULA

Deltan Dallagnol é filho do procurador de justiça Agenor Dallagnol. Protestante da igreja Batista, é formado em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em direito por Harvard. É procurador do MPF desde 2003, e especialista em crimes contra o sistema financeiro nacional  e lavagem de dinheiro, com atuações em casos como o do Banestado; atualmente coordena e integra a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Casado e pai de um casal de filhos, Dallagnol se apresenta no twitter e redes sociais como “um seguidor de Jesus”, e "líder de célula religiosa". Com a família, frequenta a Igreja Batista do Bacacheri, em Curitiba.

O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato é movido por sua fé. Deltan Martinazzo Dallagnol acredita que pode mudar a forma de combater a corrupção no país. De cabelo bem aparado, óculos de aro fino e trajado de terno preto, gosta das câmeras de TV e corre na direção delas sempre que fabrica um novo ato bombástico da Operação — o mais recente é o pedido de condenação em regime fechado contra o ex-presidente Lula.

A imagem de Dallagnol também se associou às 10 medidas de combate à corrupção, cujo animador mor, também procurador, Ângelo Goulart Villela, foi preso recentemente por corrupção, envolvido na delação dos donos da JBS, por vazar informações sob segredo de justiça exatamente para os investigados. (Para saber mais, clique aqui).

Em busca de apoio, o procurador peregrinou por igrejas batistas.

Porém, ruim de discurso e pior ainda de powerpoint, seu sucesso mesmo entre os fiéis de sua igreja anda balançando. Que pastor midiático esperaria que seu rebanho virasse as costas e saísse do templo no momento em que seu púlpito fosse entregue a um procurador responsável pela Lava Jato? Pois isso ocorreu em agosto passado na igreja da Lagoinha, em Belo Horizonte, no “culto fé” dirigido pelo pastor e cantor André Valadão.

Enquanto Dallagnol falava, apresentando um powerpoint, as pessoas começaram a sair do templo, esvaziando o local (confira clicando aqui).

Em 2014, no início da Lava-Jato, viajou para surfar na Indonésia, o que revela um estilo de vida bem pouco modesto para quem tanto vende para as câmeras a imagem de bom moço, recatado e do lar.

Embora pose de bom moço, e receba um salário de marajá do judiciário, foi flagrado na compra de dois apartamentos do Minha Casa Minha Vida para especular no mercado imobiliário.

Suas ligações, e as de Sérgio Moro, com serviços secretos dos EUA são um escândalo à parte, mas que toda a impresa conhece. Ele e o juizeco de Curitiba repassam ao FBI e ao Departamento de Estado norte americano informações privilegiadas da Petrobrás e das empreiteiras investigadas, bem como intemedeiam ilegalmente depoimentos de réus brasileiros a autoridades daquele país, interessado em abocanhar o pré-sal e o trilhonário mercado da construção civil (sobre isso clique aqui e leia mais).

Cada vez mais questionado por suas "convicções" sempre desacompanhadas de provas, em debates, ouve juristas reclamarem do teor de suas acusações, consideradas pesadas contra os réus, capazes de criar um Estado policialesco.

Na 96a. Assembleia da Convenção Batista Brasileira, ele afirmou:

“O meu único objetivo de estar no Ministério Público desde que eu ingressei, em razão do meu perfil cristão, é estar lá para buscar fazer justiça, buscar amar o próximo distribuindo a justiça e dando o meu melhor para que a justiça seja feita no nosso País”.

Só não se informou o ilustre procurador de que o Estado brasileiro é laico e que ele não foi concursado para usar o cargo para realizar a justiça divina pelo ótica de sua igreja em particular.
Evangélico ou maçon?
Na verdade, Dallagnol, como Sérgio Moro, faz parte de um esquema ultraconservador, ligado ao PSDB e ao DEM (clique aqui e veja as amizades do bonitinho), cujo objetivo é destruir a esquerda brasileira empregando o álibi fácil da corrupção. Sob a ação desses dois "paladinos da justiça" da rede Globo, bilhões do escândalo Banestado escorreram sob seus narizes direto para fora do país. Os investigados nunca foram punidos e Youssef, verdadeiro sócio de Moro em processos bilhonários, após "delatar", mas não muito, nesse escândalo e sair impune, voltou a delinquir, a delatar e a ser solto pelo mesmo Sérgio Moro, agora na operação Lava Jato. Condenado a 121 anos de prisão, ele não cumpriu mais de três, saiu livre, por decisão de Moro, e com o dinheiro no bolso (clique aqui e leia mais).

Para Dallagnol "Deus colabora com a Lava Jato", porém ele só não disse em favor de quem o Deus dele colabora, uma vez que tucano, por mais denunciado com provas que seja (e são, e muito!), nenhum foi preso e sequer indiciado por ele e Moro.

Em abril deste ano disse que "sem provas, não faríamos acusação a Lula". Porém, no apagar das luzes desta semana, nas considerações finais do famigerado processo do Triplex, não apresentou uma única prova sequer, baseando seu pedido de condenação em regime fechado do ex-presidente em "juízo de convicção", pinçado em um livro autobiográfico que lançou recentemente em busca de promoção pessoal, e em citações de Rosa Weber  (aparentada de Aécio Neves por parte de prima, Letícia Weber, casada com ele) no processo do mensalão, no qual condenou José Dirceu assumidamente sem provas porque "a jurisprudência permitia".

Esse é o naipe do procurador de holofotes, que se fundamenta no "senso comum", como afirma, ao invés de basear no senso de justiça (ou do ridículo), que exige a condenação, sem provas, de Lula, em regime fechado, com a pena máxima que seu "juízo de convicção" religiosa, lhe inspira.

Fontes: Consciência Cristã News; Conversa Afiada, Diário do Centro do Mundo, Falando Verdades, GGN, Notícias Gospel Mais, Outras Palavras, Tijolaço, UOL, Vi o Mundo.

Grato pela leitura.
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Pra estraçalhar o golpe temos que estraçalhar CADA discurso dele com a nossa linguagem TORTA e LOUCA

DERROTAR O GOLPE NO CAMPO DA LÍNGUA
Precisamos atacar o preconceito contra os trabalhadores, que é a base do golpe contra o qual estamos lutando agora. Ele se expressa por meio da língua. As humilhações que Lula sofre não é porque ele é "analfabeto" (como insistem os preconceituosos para destruí-lo), mas porque é o melhor e mais forte representante dos trabalhadores hoje.

Se não desmontarmos e derrotarmos esse preconceito no campo da linguagem, que legitima as ações dos reacionários, ele será empregado (e é) contra nós: "Trabalhador não sabe escrever, sequer falar, quanto mais governar!"

Temos que combater nessa frente: a do preconceito linguístico - base da famigerada "escola sem partido". Noutras palavras: não dá para derrotar o golpe e reconquistar a democracia sem desconstruir o que eles dizem, a partir da afirmação da nossa identidade linguistica, social e de classe. E nossos "erros" de português fazem parte dela. 
Na língua portuguesa cabe todo mundo.
Por isso devemos responder aos discursos fascistas e golpistas não na língua e nos termos deles, mas nos nossos! Se formos capazes de enfrentar o preconceito, inclusive os nossos mesmos, se desmontarmos o preconceito no coração de nossos parentes, amigos e pessoas mais próximas, estraçalharemos o golpe de baixo para cima, saíremos desta difícil jornada melhores e com um Brasil melhor, porque fruto de um povo melhor.

E quem não suportar nossos "erros" de português, que vá errar em inglês em Miami.

Brigaduuuuu pela leitura.
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Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

VOCÊ NÃO FOI ENGANADO POR NINGUÉM. ESSE CRIME AÉCIO NÃO COMETEU


Você não foi enganado por ninguém. Você realmente e do fundo do seu fígado desejou o linchamento de petistas e comunistas, mas também de homossexuais, de negros, de pessoas em situação de rua, de jovens infratores, de índios e de corruptos, desde que não fossem do seu partido e do seu gosto.

Ninguém enganou você, nem você se enganou. Você quis mesmo a volta da ditadura militar, da tortura, da censura, da pena de morte, o fim das eleições - e por conseguinte da democracia, não obstante elegendo os piores corruptos para o atual Congresso Nacional.

Você quis sim, e festejou, a derrubada por meio de um golpe, de um governo eleito por voto direto. Você riu, sim, do adesivo infame da presidenta Dilma de pernas abertas na entrada de um tanque de combustível, riu também do apelido dado por Moro a Lula, Nine, por causa de sua deficiência física em uma das mãos.

Aécio não enganou você, nem você se enganou com Aécio. O que ele era todos sabíamos, e o que você lamenta agora não é o roubo bilionário que ele promoveu - e você sabia disso, sim. Você se lamenta de ter sido flagrado com ele, você lamenta que seu Facebook esteja cheio de fotos e mensagens de apoio a ele.

Resumindo, você diz que foi enganado, mas na verdade quer apenas fugir do flagrante, só isso. Até porque você continua apoiando linchamentos morais e físicos de petistas e comunistas mas também de homossexuais, negros, pessoas em situação de rua, jovens infratores, índios - e corruptos que não sejam do seu time. Você continua do fundo do seu fígado desejando a volta da ditadura militar, da tortura, da censura, da pena de morte, o fim das eleições e da democracia.

Você não mudou nem se arrependeu do que fez, está apenas terceirizando para o Aécio a parte grande da culpa que lhe cabe. Não, ninguém enganou você: você é que nos quer enganar agora.

Grato pela leitura.
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quarta-feira, 17 de maio de 2017

O COLAPSO DO GOLPE


TEMER E AÉCIO SE APERTAM NO ABRAÇO DE AFOGADOS.

Somente um curto-circuito generalizado no bloco golpista abriria espaço para ofensiva das esquerdas. E esse curto-circuito apocalíptico está em curso e aumentando hora a hora.

A delação dos donos da JBS vazada diretamente para a rede Globo na noite de 17/05/17, novamente, além de enterrar de uma vez o moribundo governo Temer, que vai resistir o quanto puder, como qualquer máfia, revelou a face sombria do golpe.

Numa linguagem direta e sem meias palavras, Aécio Neves, sustentáculo do golpe, encomenda o assassinato do próprio primo, que ao dar com a língua nos dentes, caso preso, o que efetivamente ocorreu, exporá seus crimes e sepultará sua vida política de uma vez por todas.

O portal Brasil 247 informa:

"Gravações feitas pelos donos da JBS Friboi revelam pedido de propina de R$ 2 milhões por parte de Aécio Neves; o mais estarrecedor do áudio, no entanto, é a sugestão do presidente do PSDB para matar o recebedor da propina antes que haja uma delação; "Tem que ser um que a gente mate antes de fazer delação", disse o tucano; depois, Aécio diz: "Vai ser o Fred, com um cara seu [Joesley]. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho"; Fred, a quem Aécio se refere, é Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador e ex-diretor da Cemig, que acabou recebendo o dinheiro, em uma cena filmada pela Polícia Federal"

As manifestações deste fim de semana pelo país jogaram papel importante na mobilização do Ocupa Brasília do próximo dia 24/05/27, que exigirá a saída de Temer e a convocação de eleições diretas já.

Acompanhe a análise de primeira mão do jornalista Antônio Martins, do portal Outras Palavras:


Grato pela leitura.
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http://www.lojanovaalexandria.com.br/catalogsearch/result/?q=era+uma+vez+no+meu+bairro

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Hei, Globo! Vai... ver se eu tô na esquina!

Não precisamos nem da Globo nem  de nenhuma das emissoras ou dos jornais desse punhado de famílias prepotentes que escravizam a mente dos brasileiros. Este modesto blog Amplexos do JeosaFÁ, de um também modesto professor, que também escreve entre pilhas de provas e trabalhos de alunos, ultrapassou a jato hoje à noite a barreira de 3.000.000 de acessos, dois dos quais nos últimos doze meses, com postagens contra o golpe de Estado e seu principal instrumento, o pretenso juiz Sérgio Moro.

Enfrentar a guerra midiática de que Hugo Chaves falou é tarefa dos revolucionários deste início de século XXI. 

Passeata contra o golpe no início de 2014.


Grato pela leitura.
Meus artigos são escritos entre pilhas de provas e trabalhos de meus alunos.  

Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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GLOBO DEVE DEMITIR SÉRGIO MORO NAS PRÓXIMAS HORAS POR TER BROCHADO PELA 3a. VEZ

Pela terceira vez consecutiva o deputado federal do PSDB no judiciário de Curitiba Sérgio Moro fracassa em prender Lula. Fontes afirmam que o departamento de teledramaturgia da rede Globo, descontente com o desempenho do ator na novela da Lava Jato, já estuda um nome para substituí-lo na função de pato amarelo caçador de sapo barbudo.

A rede Globo deu chances de sobra para que seu galã da novela Lava Jato ]Sérgio Moro desempenhasse com algum efeito midiático seu papel de mocinho em novela de 5a. categoria. Porém o ator fallho miseravelmente nas três oportunidades que os irmão Marinho lhe proporcionaram.

Na primeira, em 4 de março de 2016, uma sexta feira, além do grupo especial da Polícia Federal, fantasiado de tropa de invasão do Iraque, até jatinho especialmente preparado havia no aeroporto de Congonhas para levar o ex-presidente Lula algemado para Curitiba. Porém, três ou quatro centenas de militantes e mais, segundo consta, setores da Aeronáutica, estragaram a performance do Durango Kid de Maringá city.

Na segunda, 3 de maio passado (2017) o próprio Durango Kid errou na data da prisão, pois a agendou para depois de uma Greve Geral, seguida de um 1o. de Maio cheio de protestos pelo país - o que o colocava numa posição tipo aquela em aque Napoleção pedeu a guerra. Nesse caso, ele mesmo reconheceu o fracasso antecipado, disconversou e empurrou a data mais para frente, tentando rechear a pisada no tomate com duas delações podres (Léo Pinheiro e Renato Duque), que foram enterradas tão logo divulgadas pela rede Globo, pois fediam a carniça e saíram pela culatra.

No dia de ontem, a terceira tentativa já no avançado da hora, Moro não podia falhar: tinha que dar voz de prisão a Lula, senão... Porém o juizeco brochou pela terceira vez, o que causou um curto-circuito na novela da Lava Jato, principal atração da empresa afundada em dívida da família Marinho. 

Do depoimento em que Lula deveria sair algemado para servir de matéria exclusiva para o Jornal Nacional, o líder operário saiu para a consagração popular de uma República de Curitiba tomada de populares vindos de todos os estados do país para impedir sua prisão arbitrária, cantada em verso e prosa por William Bonner.

Como perdeu a deixa, a cúpula da rede Globo já avalia que o juizeco de Curitiba não tem mais qualquer serventia e ainda onera sobremaneira sua folha de pagamento. Com isso, a Lava Jato contribui para o aumento do desemprego, porque a partir de agora Sérgio Moro passará a ser apenas um funcionário público (embora regiamente remunearado), deixando vago o cargo de caçador de sapo barbudo (que a rede Globo terá muita dificuldade para preencher no judiciário em curto prazdo, pois um capacho como Moro não se forma da noite para o dia).

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Jeosafá, professor, foi da equipe do 1o, ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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terça-feira, 9 de maio de 2017

GLOBO E MORO PLANTARAM VENTO, AMANHÃ COMEÇAM A COLHER FURACÃO

A rede Globo e o seu funcionário de luxo no judiciário, o político concursado juiz, Sérgio Moro, desde o início da Lava Jato (uma operação que erra até no português, pois a expressão correta é "lava a jato"), plantaram ódio visando o linchamento político, moral e físico de Lula. Não contavam porém que no exato momento de enfrentá-lo, estivessem no fundo do posso de seu prestígio, enquanto Lula convertia-se em uma verdadeira força da natureza a levantar o país em defesa da democracia e da recuperação econômica. Plantaram vento, vão colher furacão: furacão Lula. E a colheita começa amanhã em uma Curitiba tomada pelos trabalhadores.
Assim, se o aparato militar deslocado para Curitiba a desfilar pelas ruas como se elas fossem área de treinamento da caserna era para intimidar, se ofereceu apenas, à quem o assistiu, como um espetáculo bizarro de quem tem medo do povo, pantomima digna de desprezo e repulsa.

Empregar a Guarda Nacional, paga com o dinheiro do povo, para intimidar o povo (que se deslocou de todos os estados brasileiros para defender a democracia no covil do ditador) é uma atitude que além de revelar complexo de culpa, revela também fraqueza moral - e uma tropa sem moral está fadada ao fracasso antes de qualquer batalha.


Vídeo provocativo dando "boas vindas" a manifestantes.

Moro inicia sua performance midiática de amanhã (10/05/17) derrotado. Sua claque, de moral baixa, festejou a deixa que ele deu em vídeo no sábado (06/05/17) para ela não comparecer - pois não compareceria mesmo: as últimas manifestações de apoio a Moro pelo Brasil não reuniu nem duas dezenas amareladas de patos pingados, nas poucas cidades em que eles resolveram aparecer e passar vergonha diante das câmeras.

De qualquer modo, desequilibrado que é, Moro pode tentar uma medida tresloucada de força contra Lula. Nesse caso, o caldo vai entornar para cima dele, da rede Globo, de Temer e o país, com certeza, viverá uma conflagração de proporções desconhecidas, mas previsíveis e ao alcance no horizonte próximo. O olho do furacão, de Curitiba, desencadeará vendavais por todo o Brasil. Moro e sua empregadora estão pagando para ver.
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segunda-feira, 8 de maio de 2017

SENTADO SOBRE UM BARRIL DE DINAMITE, MORO ACENDE O PAVIO


Moro e a rede Globo semearam o ódio por todo país desde o início da operação Lava Jato, que se converteu nestes anos mais recentes numa verdadeira caçada humana enlouquecida ao ex-presidente operário Lula - exposto sempre ao linchamento, jamais a um processo justo.

No momento em que o circo de ódio de Moro e da Globo se aproxima do "grand finale", que é a tentativa de prisão arbitrária de Lula, Curitiba vive situação de estado de sítio desde sábado (6/5/17), após o infausto vídeo de Moro a seus correligionários, dos cartazes estimulando linchamento de Lula espalhados por empresários pela cidade, e da decisão da juíza Diele Zydek, que entrou no circo romano para afrontar a Constituição Federal e proibir manifestações, num escárnio à democracia, na mesma proporção daquele promovido em Brasília pelo general Nilton Cruz, durante a votação das Diretas Já, em 1984.
Outdoor de Curitiba com intervenção de apoiadores de Lula.
O clima tenso de Curitiba se espalha pelo Brasil, pois de todas as capitais partem caravanas para protestar apoio a Lula e contra a arbitrariedade de um juiz que ao invés de falar nos autos do processo, fala nas redes sociais e na rede Globo, em seu programa mais nefasto de domingo: o Fantástico, há muito usado como vitrine de linchamentos de inimigos da família Marinho.
Moro proibiu o que o que é lei, portanto é um fora da lei.
Com a proibição da juíza (cúontra a qual já foi tomada solicitada judicial), a PM local, especializada em massacrar professores, está autorizada legalmente a empregar toda a violência que lhe é peculiar, incluso aquela de bombardear manifestações a partir de helicópteros. Não se pode esperar bom resultado de uma soma como essas. Some-se a isso ainda a absurda proibição, imposta por Moro ao arrepio da lei contra a lei, de que a defesa grave integralmente o depoimento de Lula.

Porém, esse é um embate que não pode ser evitado. Assim como a votação das Diretas Já, o confronto entre Lula e Moro é o ponto agudo da disputa entre a democracia e o golpe de Estado em curso no país. Quem sair vitorioso dele (um confronto tão decisivo quanto aquele sitiado por Nilton Cruz) dirigirá o futuro do país por longo período. Nesse sentido, é tudo ou nada para Moro, mas é também tudo ou nada aos democratas, para os quais não cabe outra palavra que não seja CORAGEM.

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domingo, 7 de maio de 2017

VOCÊ SABE MESMO QUEM É SÉRGIO MORO?

DOSSIÊ MORO  - Um prodígio de garoto, né? SQN. Por James Fricke. Via Nádia Cristina Tremés

1 – Nascido em em Maringá, em 1° de agosto de 1972, é filho de professor de Geografia da Universidade de Estadual de Maringá, Dalton Áureo Moro, morto em 2005, um dos fundadores do PSDB do Paraná, conhecidíssimo por suas ideias ultra-direitistas e por espinafrar qualquer um que tivesse ideologia de esquerda;

2 - Graduado em Direito pela UEM – Universidade Estadual de Maringá, em 1995, obteve posteriormente os títulos de mestre e doutor em direito pela Universidade Federal do Paraná. Através de seu orientador, Marçal Justen Filho, tentou ser professor da UFPR, mas queria ludibriar o regime de TIDE (tempo integral e dedicação exclusiva) da Universidade, mantendo o emprego na Magistratura e na UFPR ao mesmo tempo, e perdeu. Especializou-se em crimes financeiros e tornou-se juiz federal em 1996, ou seja, três anos apenas depois de se graduar (o que deve ser um recorde) - [sic: na verdade apenas um ano] e atua, até hoje, sem a carteira de advogado, pois nunca foi aprovado no exame da OAB;

3 - Cursou o 'Program of Instruction for Lawyers' na 'Harvard Law School' e participou de programas de estudos sobre lavagem de dinheiro no 'International Visitors Program', promovido pelo Departamento de Estado Americano;

4 – Seu primeiro serviço foi no escritório do advogado tributarista Dr. Irivaldo Joaquim de Souza,  que foi advogado de Jairo Gianoto, ex-prefeito de Maringá pelo PSDB, entre 1997 a 2000, que foi condenado e preso por gestão fraudulenta - a quem moro serviu como testemunha de defesa, já como juiz de primeira instância;

5 - Tem como esposa a dra. Rosângela Wolff de Quadros Moro, uma advogada cujo escritório trabalha para o governo tucano do Paraná de Beto Richa, e assessora a megacorporação SHELL, uma das principais multinacionais imperialistas na área de petróleo. Recentemente, a esposa de Sergio Moro foi flagrada participando de desvios das verbas da APAE, num 'deja vü' de Rosane Collor, 'ex-posa' do ex-presidente Fernando Collor, que também participava de desvios de dinheiro dá instituição que cuida dos excepcionais;

6 – É Maçom e vive pregando em Igrejas evangélicas, junto com outro juiz (sic), pastor e notório anti-petista, anti-Brasil e baba-ovo dos EUA, formado por Harvard, o procurador 'Deltan POWERPOINT Dallagnol', que não tem provas mas muitas convicções, que a Lava-Jato tem auxílio de 'Deus';
Moro condecorado na maçonaria (assista a partir do 3:18 min). Obviamente não se precisa concordar com as opiniões do autor do vídeo sobre a maçonaria, sobre o PT, sobre o ocultismo etc., mas o fato é que ele registra algo que se tentou manter oculto.

7 - Em 2003, Moro julgou o escândalo do BANESTADO, que envolveu remessas ilegais de mais US$ 124 bilhões (R$ 520 BILHÕES) ilegalmente , para os EUA, no final da década de 90 - para se ter uma ideia, o montante estimado que foi desviado na PETROBRAS é de cerca de US$ 20 BILHÔES). Neste caso, onde só foram para cadeia alguns laranjas e doleiros sem nenhuma importância, o juiz contou com a ajuda do doleiro ALBERTO YOUSSEFF, natural de Londrina-PR, e ignorou solenemente suas delações contra JAIME LERNER e ÁLVARO DIAS, membros do alto tucanato do Paraná, que tiveram suas campanhas amplamente financiadas pelo doleiro, além de utilizar várias vezes o seu jatinho particular [confira na reportagem da revista Carta Capital  A semente dos escândalos;

8 - Em 2010/12, Moro foi assessor da Ministra ROSA WEBER no julgamento televisivo do Mensalão do PT, a famigerada AP-470, quando promulgou o famoso e famigerado voto: "Não tenho provas contra você, Zé Dirceu, mas vou condená-lo mesmo assim, porque assim permite a literatura jurídica".

http://www.lojanovaalexandria.com.br/nova-alexandria/era-uma-vez-no-meu-bairro.html?mode=list
Um romance sobre uma São Paulo violenta, onde cabe a poesia, o amor e a amizade. 
9 - Em 2014, através de escutas plantadas nas empresas do José Janene (PP) um dos cabeças do caso do 'Mensalão', a PF chega ao doleiro Carlos Habib Chater, que tinha como base de atuação o Posto da Torre, em BRASÍLIA (daí o nome de 'Operação LAVA-JATO'). Nesse momento surge em cena novamente a figura do Doleiro ALBERTO YOUSSEFF (codnomes: 'Primo' e 'Beto'), captado em escutas telefônicas. Yousseff, então, é preso e  concorda em fazer delação premiada novamente, e o 'juizmoro' dá início, em Curitiba, à Operação LAVA-JATO, que tem por escopo investigar as denúncias de desvios na PETROBRAS (que tem sede no Rio de janeiro), e torna notório o bordão "NÃO VEM AO CASO", emitido pelo juiz todas as vezes que as delações incriminam ou lançam suspeitas sobre TUCANOS, ou qualquer um que não pertença ao PT;

10 – Após 3 anos de Operação Lava-Jato e suas intermináveis fases, e idas e vindas, sob o comando do 'juizmoro' - que, notadamente, recebe salário muito acima do teto constitucional, e que viaja com frequência aos EUA para trocar 'informações' com os órgãos de controle daquele país que GRAMPEARAM a PETROBRAS e a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL durante anos, o resultado é estarrecedor:

10.1 - ALBERTO YOSSEFF, doleiro corrupto e bandido contumaz, que deveria estar preso  mas, apesar de reincidente, recebeu todas as benesses de uma nova delação premiada, manteve boa parte de seu grande e patrimônio ilícito e responde em liberdade por seus crimes, tendo se tornado uma espécie de DELATOR PESSOAL do 'juizmoro';

10.2 - Quase todas as grandes empreiteiras nacionais estão com seus diretores e presidentes presos preventivamente há pelo menos um ano. Centenas de obras foram paralisadas e milhões de trabalhadores foram lançados ao desemprego, jogando o país numa crise sem precedentes, cujas causas são muito mais políticas e internas do que econômicas e externas  A referida "Operação"  foi criada com o objetivo único de culpabilizar e criminalizar o PT e as políticas sociais que fizeram o BRASIL e o Presidente LULA respeitados em âmbito internacional - levou o país de 14a a 5a. economia do mundo, numa situação de pleno emprego, em pouco mais de 10 anos de governos progressistas ;

10.3 - A cadeia produtiva da PETROBRAS, que respondia por 13% do PIB nacional, até 2014, foi quebrada e a empresa corre sérios riscos de ser fatiada e privatizada, assim como o Pré-sal -  que ela descobriu com tecnologia própria -, e muitos de seus valiosos ativos estão sendo leiloados a preço de banana pelo novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, que já foi Ministro de FHC nos tempos da PRIVATARIA TUCANA;

10.4 - A indústria naval e a indústria aeroespacial foram destruídas, bem como foi destruído o Projeto Nuclear Brasileiro, com a prisão irresponsável e injustificável do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, responsável pelo desenvolvimento de método revolucionário de beneficiamento de urânio, no qual os EUA tem grande interesse;

10.5 - Os políticos mais delatados, até agora, na Lava-Jato do 'juizmoro' são, notoriamente, membros do PSDB, PMDB e PP, que são inúmeros e permanecem intocados. Esta malta de delatados que 'não vem ao caso', por sua vez, uniram-se num conluio macabro para derrubar a Presidente eleita através de um GOLPE DE ESTADO farsesco e circense absurdo, e tomar o Poder no País, e há graves suspeitas de que assassinaram o Ministro TEORI ZAVASCKI, que já havia anunciado que levaria a julgamento TODOS os envolvidos no esquema de desvio investigado pela LAVA-JATO, que hoje querem abafar;

10.6 - Só quem foi para a cadeia até o momento foram o costas largas ZÉ DIRCEU (novamente sem provas e acusado dos mesmos crimes pelos quais foi absurdamente condenado sem provas na AP-470) e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, mesmo tendo apresentado toda a contabilidade das doações recebidas pelo partido nas campanhas de 2010 e 2014.

COMENTÁRIO INCORPORADO
Em 24/07/17

Por Marcos César Danhoni Neves
Professor titular de Física da Universidade Estadual de Maringá-UEM) desde 2001 e docente e pesquisador há quase 30 anos, especialista em história e epistemologia da ciência, educação científica, além de processos de ensino-aprendizagem e análise de discursos.

Moro tem um currículo péssimo: uma página no sistema Lattes (do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico ligado ao extinto MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia). Lista somente 4 livros e 5 artigos publicados.

Mesmo sua formação acadêmica é estranha: mestrado e doutorado obtidos em três anos. Isso precisaria ser investigado, pois a formação mínima regulada pela CAPES-MEC (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Ministério da Educação) é de 24 meses para Mestrado e 48 meses para o Doutorado.

Significa que “algo” ocorreu nessa formação apressada.. Que “algo” é esse, é necessário apurar com rigor jurídico.

Se seguirmos o texto de mais de 200 páginas da condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e guiando-me pela minha experiência em pesquisa qualitativa, análise de discurso e fenomenologia, notamos claramente que parte significativa do texto consiste em Moro tentar apagar suas digitais, sem sucesso, ao desdizer que agiu com imparcialidade.

Nestas páginas robustas lemos uma declaração clara de culpa: Moro considera a parte da defesa de Lula em menos de 1% do texto total! E dos mais de 900 parágrafos, somente nos cinco finais alinhava sua denúncia e sentença sem provas baseada num misto frankensteiniano de “explanacionismo” (uma “doutrina” jurídica personalíssima criada por Deltan Dallagnol) e “teoria do domínio do fato”, ou seja, sentença exarada sobre ilações, somente.

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