quarta-feira, 20 de maio de 2015

Malcolm X e o pão nosso de cada dia (e só o pão)

Os 90 anos de nascimento de um líder: assista ao vídeo
Durante a Grande Depressão, passamos muita necessidade. Minha mãe ganhava pães, então... fazia sopa de pão, pudim de pão, pão torrado, ensopado de pão, pão com açúcar, pão com óleo de cozinha e sal, pão com banana. Não ficamos traumatizados porque o pão salvou nossas vidas.
Malcolm X.


Malcolm X nasceu como Malcolm Little em 19 de maio de 1925, em Omaha, estado deNebraska (EUA). Seu pai, Earl Little, marceneiro de profissão, era pregador batista ligado ao movimento do Nacionalismo Negro, do líder jamaicano Marcus Garvey, que teve enorme influência na luta antirracista no início do século XX. Sua mãe, Louise Norton (Little), fluente em francês, era também atuante desse movimento. Ainda criança, Malcolm teve o pai assassinado por racistas de forma violentíssima (espancado, foi atirado em um trilho de bonde para ser atropelado). Com muitos filhos e uma depressão profunda, Louise, sem tratamento adequado, foi internada pelo Estado em um manicômio de condições precárias, do qual seria retirada anos depois, completamente aniquilada.

Os filhos de menor idade foram distribuídos pelo Serviço Social em lares adotivos. Malcolm, após ter sido excelente aluno do ensino fundamental, foi morar em Boston com sua meia-irmã Ella. Nessa cidade, vivendo de subempregos (engraxate, lavador de pratos, faxineiro de trens, entre outros), termina por se envolver com o mundo do crime, que o levará, com pouco mais de vinte anos de idade, em 1946, à prisão. Sentenciado a mais de uma década de pena, cumprirá sete anos em regime fechado. Por meio de uma seita religiosa, a Nação do Islã, tomará consciência das razões da exploração dos negros nos EUA. Ainda preso, se converterá ao islamismo e mergulhará nos livros de filosofia, sociologia, história, geografia , de literatura (menos) e até mesmo de latim, linguística e etimologia.

Desde quando sai da prisão, no segundo semestre de 1952, até o momento de seu assassinato, em 21 de fevereiro de 1965, Malcolm X evoluiu em seus pensamentos e suas práticas, abandonando o sectarismo e o ódio racial em favor de uma compreensão mais ampla da questão do negro e dos pobres nos EUA. Em 1964, rompe com a Nação do Islã totalmente e encampa a luta pelos direitos civis, por chegar à conclusão de que o ódio e a segregação são empecilhos à justiça social e à superação do racismo. Em seus últimos discursos afirmava: “Uno-me a todos aqueles dispostos a superar a miséria deste mundo”. Superando a visão sectária da Nação do Islã que indispôs com líderes como Martin Luther King, afirmou: “A união é a religião certa”, e ainda: “Quando for lutar contra o racismo, deixe sua religião em casa, no guarda-roupa”.


Se forem descontextualizadas, muitas de
suas formulações parecerão erráticas, pois umas se chocarão com outras. Porém, respeitado seu percurso de aprendizagem contínua (retratado em sua Autobiografia, concluída no mês de seu assassinato), o que se observará é um homem de extrema inteligência e coragem, que jamais teve preguiça de estudar, pesquisar e, desde que convencido, mudar de ideia e de prática. Malcolm X não teve medo de romper com o passado, mesmo com o custo da própria vida, porque não teve tempo de ter medo. É esse exemplo, é esse homem, é esse jovem, que inspira tanta gente no mundo todo, que o leitor tem agora em mãos, em O JOVEM MALCILM X.


LEIA TAMBÉM: Malcolm X: a voz rouca dos guetos, reportagem de Cida Moreira para a Rede Brasil .


JEOSAFÁ, professor, foi da equipe do 1o. ENEM, em 1998, e membro da banca de redação desse Exame em anos posteriores. Compôs também bancas de correção das redações da FUVEST nas décadas de 1990 e 2000. Foi consultor da Fundação Carlos Vanzolini da USP, na área de Currículo e nos programas Apoio ao Saber e Leituras do Professor da Secretaria de Educação de São Paulo. É escritor e professor Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Autor de mais de 50 títulos por diversas editoras, lançou em 2013 O jovem Mandela (Editora Nova Alexandria);  em maio de 2015, nos 90 anos de Malcolm X, O jovem Malcolm X, pela mesma editora; no mesmo ano publicou A lenda do belo Pecopin e da bela Bauldour, tradução do francês e adaptação para HQ do clássico de Victor Hugo, pela editora Mercuryo Jovem. Leciona atualmente para a Educação Básica e para o Ensino Superior privados.

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